
Eu gostava de saber que ela era outra pessoa que não eu. Que tinha outros desejos e outros vícios. Que gostava mais de doce de morango. Era bom acordar sabendo que era ela que eu encontraria porque ela era o meu outro. Ela era o que eu queria pra mim. O cotidiano dela era o meu raro.
posted by Uma menina 23:24Discorde:
"querida, nesse momento exato estou ótima. o som do meu computador voltou. como nos velhos tempos. e como lá, estou puxando músicas que me remetem a épocas muito específicas. trancada no quartinho do computador, fingindo não estar lá, fingindo não estar sozinha.
estou particularmente nostálgica hoje. como todo domingo deve ser.
na vida prática, ... . amém. ... . mas está dando tudo certo.
... . mas precisamos de um tempo, e esse fim de semana está ótimo. nos falamos por telefone, mas não nos vemos. às vezes, se precisa disso, e eu não lembrava bem porque.
estou feliz, muito feliz por ter minhas músicas voltando pra mim. a maior perda da minha vida foi quando as 3 mil músicas que tinha compilado em 5 anos se foram, numa formatação irresponsável. chorei, acredita? parece blasfêmia, futilidade, desrespeito. mas essas notinhas fazem toda diferença pra mim.
decemberists, elliot smith, bright eyes, nick drake, rachel's, estou me divertindo, numa atmosfera azul como o layout do hotmail. específico, disperso, distante, impalpável, inexplicável. é só meu.
está tudo bem, a casa está vazia, estou me sentindo sozinha e tinha esquecido como isso é maravilhoso. tanto quanto se sentir acompanhada. contra-senso, mas paradoxos não são opostos.
me despeço ouvindo o mundo é um moinho. grande cartola que pouco fez parte do meu passado, mas é todo ele.
beijos, querida.
beijos e felicidade de domingo que, por incrível que pareça, existe."
posted by Uma menina 16:28Discorde:
muda, né?
tudo vai mudando, tão devagarinho e tão rápido que nem se vê.
mudou.
ando cansada, mas sem angústia. ou talvez pela primeira vez angustiada.
mas é sentimento diferente, pelos motivos diferentes de um gosto diferente.
andei escrevendo outras coisas. andei andando.
agora nem mais escrevo nem mais ando.
mas mudou.
minhas dúvidas são outras. de um teor mais crescido, pra mim ainda de menina.
não leio mais o que era, pra não confundir com o que posso ser.
não vejo o futuro, mas um dia chego lá.
afinal... muda, né?
posted by Uma menina 01:23Discorde:
Vou voltar no tempo só por um segundo. Só pra entender porque o tempo passa.
Só pra entender porque quase morri tantas vezes de tristeza e solidão.
Só pra entender porque eu achava o céu tão lindo.
Só pra entender porque coisas pequenas me emocionavam.
Porque hoje nada disso me diz coisa alguma.
Porque hoje eu aprendi a correr com a vida e a sentir culpa de me perguntar se vale a pena.
Porque hoje eu tenho hora pra ficar triste, e só nessa hora é que eu posso me dar esse direito.
Tudo passa, tudo muda.
Mas só vou olhar mais um pouquinho pra trás.
posted by Uma menina 19:23Discorde:
Que merda.
Que grande
gigante
merda
posted by Uma menina 15:42Discorde:
Por um momento, só quero ser.
Ser, viver, sentir, sonhar, errar e acertar.
Só...
Sei lá... a vida tem sempre razão...
posted by Uma menina 20:34Discorde:
O começo é sempre difícil. Difícil de se acostumar, difícil de acertar, difícil de entender.
Mas depois... depois fica pior...
Pior porque se percebe que é fácil acertar, fácil de se acostumar, fácil demais... mas incrivelmente difícil de aceitar... de conviver... de conseguir dormir sem pensar nisso.
E então nada mais faz sentido.
Interessante como, conforme o tempo passa, tudo o que a vida oferece faz menos sentido. Tem menos razão de ser. Menos palavras que expliquem qualquer coisa.
Nem mesmo uma garrafa de vinho, uma boa conversa, um ambiente esfumaçado... nem mesmo uma música que antes era tudo... Agora tudo é nada.
Absolutamente nada.
Interessante...
posted by Uma menina 20:16Discorde:
Eu não sou o mundo de alguém.
Eu não sou o mundo de ninguém.
Eu não sou o mundo.
Eu não sou.
Não sou.
Não.
posted by Uma menina 20:54Discorde:
Algumas pessoas quiseram saber mais sobre mim. Fiquei lisonjeada.
Receio que, se me descobrissem, perceberiam que sou só mais uma na multidão. Enfadonha, fastidiosa.
Sem nada que fosse realmente interessante, poético ou bonito.
Não sei palavras difíceis, não sou uma pessoa difícil. Em cinco segundos, a história da minha vida pode ser contada e recontada, inteira, sem que nada se perca. E nada vale a pena ser contado.
Continuo suspensa, que é a única coisa que ainda me torna interessante a meus próprios olhos.
posted by Uma menina 14:42Discorde:
É.... passei um bom tempo longe... perdi os poucos leitores que tinha.... perdi a mim mesma...
Talvez eu volte a escrever mais freqüentemente, mesmo sem ninguém pra ler... talvez escreva só de vez em quando...
Ou quem sabe, isso seja um adeus. Pra ser sincera, não tenho mais certeza de nada.
Nem mesmo deste exato momento.
posted by Uma menina 19:26Discorde:
Queria me matar.
Na verdade, não é exatamente isso que quero. Pra ser franca, quero fugir.
Fugir da minha vida. Fugir dessa coisa medíocre que chamo de vida. Fugir de todos e de mim mesma.
Fazer com que me esqueçam, e que eu os esqueça. Começar do zero.
Queria ser importante pra alguém. Importante o suficiente pra me ligarem às 3:30h da manhã só pra dizer "oi".
Na verdade, queria alguém que se importasse.
Queria me importar... porque sinto que não sou nada.
Sinto que estou aqui só... ocupando espaço. Ou seja lá o que for isso que estou fazendo.
Pra dizer a verdade, o que eu mais queria mesmo era que esse aniversário acabasse.
Porque por mais que seja só uma data no calendário, me faz querer coisas que infelizmente não posso ter.
posted by Uma menina 22:55Discorde:
Era uma noite como qualquer outra quando alguém bateu à porta. Estranho isso acontecer, ninguém nunca vinha bater à porta, nem para visitar, nem para vender enciclopédia, nem pra pedir esmola. A verdade é que nunca se ouviu bater àquela porta.
Mas naquela noite, o estranho acontecimento quebrou o silêncio habitual. Alguém mudou o que sempre foi. Mudou o imutável: o silêncio e a solidão da noite atrás da porta. Não se soube o motivo, não se soube quem o fez, não se soube o que aconteceria se tivessem atendido à batida. Só o que ficou claro foi que nada seria o mesmo dali pra frente. Três batidas surdas à porta mudariam tudo o que já estava em seu devido lugar.
posted by Uma menina 22:55Discorde:
Pra falar a verdade, tenho medo.
Medo de facas. Medo de escuro. Medo de doenças.
Medo da morte.
Medo, ainda mais, da vida. Medo de amar. E medo de solidão.
Medo da rua. Medo de voltar pra casa. Medo de sofrer, e medo de terminar a vida percebendo que não vivi por medo de me machucar.
Medo das pessoas. Mais medo de mim mesma. Medo do ridículo. Mesmo que eu faça de tudo para parecer que não ligo.
Medo de que me julguem e descubram que eu não sou nada do que pensam.
Medo de descobrir que não sou nada que penso que sou.
Medo de prisão. Medo maior de liberdade.
Tenho medo de abrir os olhos e descobrir o mundo.
E medo maior de fechá-los para sempre sem nunca ter enxergado tudo o que poderia, se não tivesse tanto medo.
posted by Uma menina 20:59Discorde:
Está cada vez mais difícil respirar.
Tosse. Dor. Aquele momento em que o ar parece que nunca mais vai entrar pelos pulmões.
Respira... respira... já vai passar...
Já vai passar...
Me passa um cigarro, que já vai passar...
posted by Uma menina 19:11Discorde:
Lembro que antes pensava que quem eu conhecia estava agindo de modo estranho. Percebia que eu continuava a mesma enquanto todos mudavam.
Parece que chegou minha vez de mudar. Estou me sentindo como se voltasse à pré-adolescência e começasse a descobrir a mim mesma e ao mundo. Parece que tudo o que eu já mudei até hoje, foi só um preparo para o que estou me tornando agora. Estou estranha a mim mesma.
Talvez tivesse sido a vida toda, e só agora perceba que nunca fui sincera. E perceber isso me faz andar tão desligada a ponto de não sentir meus pés no chão, como se fosse uma música antiga. Para qualquer coisa que faço, há um ou dois momentos em que paro e penso "desde quando estou fazendo isso?". Não consigo me lembrar de quando comecei. Mesmo que tenha sido dois minutos atrás.
Minhas mãos tremem, não me concentro. Não me lembro da última vez em que realmente fiz alguma coisa.
Minha mente parece lenta demais, e não consigo acompanhar a mim mesma.
Recebi hoje uma carta. Daquelas manuscritas, à maneira antiga. E mal consigo pensar para escrever e responder. Não consigo mais escrever, pensar, ou fazer qualquer coisa direito.
Nessas horas, mais do que nunca, penso como seria bom fugir de tudo. Até de meu corpo.
posted by Uma menina 20:11Discorde:
Se eu sei que é errado, por que continuo fazendo?
Ah, claro. Tinha me esquecido.
Eu sou idiota.
posted by Uma menina 17:25Discorde:
Na primeira vez, sofri. Chorei, pedi perdão. Jurei que nunca mais ia acontecer.
Na segunda vez, sofri. Pedi perdão, sinceramente. Expliquei que sou fraca. Mas nunca mais ia acontecer.
Na terceira vez, pedi perdão. Disse estar arrependida. Palavras da boca pra fora.
Na quarta vez, pedi perdão. Pedi como se pedisse um pãozinho na padaria.
Da quinta em diante, nem me dei ao trabalho de fingir me preocupar. De que adianta?
Vamos todos parar de baixo da terra, de qualquer forma.
posted by Uma menina 20:20Discorde:
Perdi tudo.
Perdi minha vida, perdi a beleza, perdi a esperança, perdi a vontade.
Só de pensar nas coisas que faço, nas coisas horríveis que faço, o estômago embrulha e não consigo mais dormir.
Não consigo nem me concentrar. Não sei mais o que estou fazendo.
Só erro, um erro atrás do outro, um eterno retorno agoniante.
Só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
Como ainda consigo andar nas ruas, olhar pras pessoas, olhar pro meu próprio reflexo, não sei.
Só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
De noite eu me lembro que ainda sou criança. E só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
Só de pensar em viver já quero morrer.
posted by Uma menina 22:52Discorde:
Eu sei, não existe romantismo.
Eu sei, nunca deveria ter lido sequer um romance romântico.
Eu sei, o que acontece nos filmes nunca vai se passar na vida real.
Eu sei, as novelas são uma visão bonitinha e impossível da vida.
Eu sei, eu não posso voltar no tempo para eras que davam mais importância ao amor.
Eu sei, não posso ter um romance poético que me dê friozinho na barriga, que me faça pensar que estou num filme, que me faça sentir personagem de um autor romântico qualquer.
Eu sei, eu não moro em nenhum lugar que eu gostaria, não vivi as coisas que gostaria, não conheci os esteriótipos que gostaria.
Eu sei, eu sei.
Talvez seja por isso que sempre vem essa tristezinha braba demais.
posted by Uma menina 22:20Discorde:
Agora queria ir pra um lugar calmo, um campo, um tempo ameno, um sol gostoso, um dia de outono.
Margaridas enfeitando a paisagem, enquanto eu olho o horizonte, só com a musicalidade natural dali pra se ouvir.
Olhar pro céu azul e ter uma sensação de liberdade e leveza inexplicáveis, que só sentindo pra saber.
Um cheiro de grama gostoso, uma coisa bucólica da qual sempre reclamo, mas que sinto falta.
E vai chegando a noite... e só o brilho das estrelas pra iluminar o caminho... muitas estrelas...
O céu claro e limpo... nenhuma preocupação... e não só as sensações do dia, mas também uma coisa estranha que parece a lembrança de um outro tempo. Porque a noite atrai nostalgia. Mesmo que seja de tempos que nunca vieram.
E eu não quero me levantar, porque ali é o melhor lugar do mundo pra estar... e adormeço e acordo ali, e parece que não sinto mais fome, não sinto mais frio, não sinto nada que possa me incomodar.
Só o sol, mais uma vez, aquecendo a manhã de um jeito tão gostoso que eu mal quero me mexer pra não estragar.
E ficaria ali pra sempre, sempre amando aquele lugar, sem me sentir sozinha, nem vazia, nem presa, nem num lugar estranho.
Estaria finalmente em casa.
posted by Uma menina 23:01Discorde:
Vivemos em pequenas caixinhas decoradas.
Saímos de nossas caixinhas decoradas para entrar em caixinhas móveis e chegar a outras caixinhas (talvez maiores, talvez menores).
Vivemos presos em caixas e costumes, cantando a liberdade sem nem ao menos saber o que ela é.
Brincamos de Deus, estipulando regras e doenças para cada um e para cada época. Brincamos com o mundo achando que tudo se resolve com uma faxina na segunda-feira.
Fingimos que somos juízes de outros. Matamos quem achamos que está errado.
Estamos sempre certos.
E ainda nos achamos no direito de reclamar.
Ô, povinho besta.
posted by Uma menina 22:02Discorde:
Recebi há pouco uma ligação de minha avó. A única que tenho, pois a outra morreu antes que eu nascesse.
Estava ouvindo Sarah McLachlan quando o telefone tocou. E do outro lado da linha estava uma senhora, apesar de doente, muito forte. Mais do que qualquer um jamais imaginara.
"Esqueceu da vó, foi?". Não, minha vózinha. Tem muito tempo que não nos vemos, mas não a esqueci.
Bateu uma saudade forte e uma vontade imensa de chorar. Segurei o choro até desligar o telefone.
Com o "tchau", vieram todas as lembranças de infância. Todas aquelas imagens que eu tento não ver para não cair na crescente e desesperadora nostalgia que enche meu coração de uma forma tão avassaladora que parece que eu não vou conseguir sobreviver. Já não ouvia mais nada a não ser aquela dorzinha no peito.
Chorei.
Aliviou bastante. Nunca chorar me fez tão bem. Toda a minha tristeza se transportou pra fora do meu corpo. Apesar de sempre ouvir que as lágrimas servem exatamente pra isso, nunca tinha experimentado plenamente essa sensação. Sempre ficava alguma coisa engasgada.
É, chorei.
E agora me sinto mais leve, meu peito quase flutua.
Minha avó continua longe, só que muito mais perto de mim. Tudo isso só com uma ligação.
O que dirá quando a reencontrar?
posted by Uma menina 19:46Discorde:
Confusa
Batom caderno travesseiro olho azul moderno divertido enjôo desastre carinho papel desespero surpreendente legal mágico ilegal telefone frio solidão inverno verão sol noite desespero música fim livro dor caminho ilha lápis apelo desespero esperança desespero aperto liberdade prisão caviar miojo arroz vento ilusão perda desespero alegria caneta roupa dor desamor calafrio indiferente estranho confuso dor bebida ébria cigarro desespero ódio sono falta raiva calamidade desespero tremor melancolia riso depressão dor desespero dor desespero remédio sono riso força sono indiferença dor desespero noite lua música solidão harmonia som frio desespero indiferença letargia inércia semi-vida pseudo-vida morte.
posted by Uma menina 21:18Discorde:
Ouço músicas que me fazem lembrar de tempos em que as coisas pareciam muito mais simples. Presto atenção, especialmente, em uma coisa que Eddie Vedder diz e que faz tanto sentido: "how much difference does it make?".
Nenhuma diferença. Nada que eu fizer, disser, pensar fará diferença nem mesmo pra mim, que dirá para os outros. Mesmo palavras carinhosas, pensamentos felizes, idéias geniais, nada disso faz sentido. Não tem razão de ser.
Ainda não sei porque me levanto todas as manhãs. Sei que de noite tudo será insuportavelmente triste e pensarei várias vezes em morrer. Por que já não me poupo o trabalho e não saio da cama, perdendo a noção do tempo, e não fazendo nada mais que dormir e esperar que a fome ou a sede me mate? Seria tão mais simples, tão mais fácil.
Pra que dificultar as coisas? No fim das contas, serei uma carcaça podre numa caixa de madeira, sete palmos abaixo do chão. Comida de vermes que têm uma existência muito mais significativa que a minha. Eu não mereço ser comida deles. Eles merecem coisa melhor do que a minha carne pálida, insossa, inútil.
Como vou viver desse momento em diante? Não vejo esperança, não vejo luz no fim do túnel, não vejo sequer um passo a frente do outro. Como posso continuar fingindo que vivo?
Não quero nada. Absolutamente nada.
posted by Uma menina 20:44Discorde:
Sinto muita saudade de minha mãe. Não da presença dela, mas da relação que tínhamos em outros tempos.
Dos tempos em que conversávamos sobre como meu dia tinha sido, ou sobre o meu novo "paquerinha", ou quando ela me abençoava e cantava para eu dormir. De quando ríamos no meio da rua por uma coisa boba, até quase ela bater o carro. De quando eu procurava ela pra chorar.
Sinto falta de quando ela precisava de mim, e eu me sentia bem por isso.
Sinto muita saudade de meu pai. Não da presença dele, mas da relação que tínhamos em outros tempos.
Das coisas que ele me ensinava sobre o céu, a terra, o sobrenatural, os mistérios do Universo. De quando começamos a discutir, quando meu ponto de vista começou a ficar diferente do dele. E de chegarmos a conclusões iguais. Sinto falta de seus elogios carinhosos e sinceros. Sinto falta de ouvir discos de vinil sentada perto dele, descobrindo bandas maravilhosas, que anos mais tarde tornaram-se minhas favoritas.
Sinto falta, muita falta, de um tempo que não volta mais. A não ser na memória, pra atormentar e entristecer.
posted by Uma menina 20:23Discorde:
Percebo que existe um grande preconceito quanto ao samba. Muita gente imagina que, ouvindo os pagodeiros dos programas de domingo, já tem uma boa idéia do que é o samba e o pagode.
Fico feliz de saber que essas pessoas estão enganadas.
O bom samba, o bom pagode, a boa música de raiz, tem uma história muito mais bonita, um quê de emoção, perfeito pra fins-de-semana, pôr-do-sol, dia de tpm.
O bom samba vem assinado por Vinícius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim, Baaden Powell, Chico Buarque, Quarteto em Cy. Tem uma pitada de Elis, Miúcha, Nara Leão. O bom samba, tem como pai Adoniran, Dorival e tantos outros grandes sambistas.
O bom samba tem Badi Assad pra continuar. Tem Maria Rita pra lembrar.
O bom samba, infelizmente, não aparece na tv. Não vende disco. Não dá ibope.
O bom samba está fadado a ser visto como velharia, sem sentido, fora de moda.
Fico feliz de ser igualmente vista como sem sentido e fora de moda.
posted by Uma menina 21:04Discorde:
Pronto. É quase noite.
Mas... essa passagem do dia pra noite é que é o momento mais bonito, mais poético, mais melancólico, mais feliz, mais sereno, mais... vivo... mais vivo que qualquer outro momento.
Ah, se eu pudesse congelar esse momento, em que as luzes da cidade já estão acesas, esperando pela escuridão chegar. Como queria parar o tempo justamente agora, enquanto o céu tem essas cores que eu não sei o nome, cores que só fazem sentido se vistas, que nenhuma pintura, nenhuma palavra pode descrever.
O sol baixa rápido. Assim como a vida acaba rapidamente, o sol se esconde atrás de uma colina. Eu sei que atrás da colina existe esse lugar maravilhoso onde já estive, por tanto tempo, mas que agora está tão longe de mim. E só o sol pode alcançar.
posted by Uma menina 18:21Discorde:
Hoje eu queria fazer u'a poesia. Acordei com aquele olhar melancólico, pretensioso, sedento por algo que o explique.
Achei que com o passar da tarde ele diminuiria, e deixaria meu rosto, indo embora com o entardecer. Achei que talvez não fosse preciso pensar em nada, e ficaria tudo bem. O olhar não tem razão de ser. Só está lá, por algum motivo que nem eu mesma consigo entender.
Mas como escrever poesia, se não sou poetisa? Como emocionar as pessoas, se a única coisa que consegue emocionar plenamente é o pôr-do-sol (e, afinal, quem sou eu pra descrevê-lo?)? O que devo fazer, então?
Não encontro melhor resposta, senão tentar passar essa dúvida para as palavras, e soltá-las para que pessoas (talvez não tão) desocupadas quanto eu possam lê-las e perceberem que não sou nada, mas que ainda tenho a esperança de um dia ser. Tenho ainda a esperança de um dia conseguir traduzir meus olhos melancólicos, e o pôr-do-sol maravilhoso das minhas lembranças.
E tenho a esperança de um dia acordar e dizer que sou feliz. Plenamente feliz.
posted by Uma menina 18:46Discorde:
Quando se passa muito tempo sozinha (não da companhia de um homem, mas sim completamente sozinha, longe de tudo e de todos), perde-se um pouco a noção de convivência. E não é possível mais ser normal com as pessoas. Por favores e obrigados ficam pra trás. Não me importa mais nada. Nem ninguém.
Claro, isso não dura pra sempre. Aí você começa a perceber pessoas no meio da multidão que podem mudar a sua vida. E você espera mudar a delas, também.
Infelizmente, isso não acontece. E, então, cá estou eu, sozinha, de novo. Em um dia, um ano se passa. Em uma semana, foram-se décadas. E cá estou eu, sozinha de novo.
Só que dessa vez guardo as mágoas de quando me abri. Guardo as mágoas que poderiam se apagar pra eu me sentir melhor.
Mas não. Estão lá. Atormentando minhas noites.
Fazendo-me mais fria e sozinha.
Mais uma vez...
posted by Uma menina 21:25Discorde:
Não entendo, mãinha. Dói. Só dói.
posted by Uma menina 18:20Discorde:
O que você fez hoje?
Eu descobri que eu sei conversar. Não conversar sobre o tempo, ou sobre a crise mundial de 29. Muito menos sobre as últimas tendências da moda masculina no setor dos calçados. Não. Sobre tudo isso eu sempre pude falar.
Mas hoje eu descobri que eu sei conversar sobre mim. Sei conversar sobre o que estou sentindo, toda a agonia que está dentro de mim, e tudo o que me incomoda profundamente, e que nunca havia exposto. Descobri que posso falar sobre isso com uma pessoa, e a pessoa vai ouvir. E descobri que falar é tão gostoso quanto ouvir. E eu ainda posso me entender muito mais.
Não foi uma sessão de terapia, nem análise.
Foi só a descoberta de que eu tenho um amigo.
posted by Uma menina 00:42Discorde:
Tudo o que eu poderia escrever, já foi escrito. Já percebeu? Todas as idéias já foram expostas, todas teorias formuladas, todos os sentimentos já foram sentidos de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Toda música já foi escrita, todo poema declamado, todo quadro pintado, toda opinião discordada.
Mas então... pra que continuar tentando escrever? Sempre temas repetidos, tentando inovar temas batidos, criando e recriando um lixo contínuo. Pra que, diabos, continuamos a escrever?
Não consigo achar uma resposta bonita, poética, culta. Não consigo fingir que existe uma razão, e tentar convencer todo o mundo de que ainda vale a pena escrever. Ná. Pára de escrever, rápido. Pára, que nesse mundão não tem mais ninguém que quer te ler, não. Tá todo mundo ocupado assistindo filme pornô, irritando o vizinho, torturando o gato vira-lata... lentamente...
Ninguém mais quer saber de linhas e linhas de palavras enfadonhas e pouco conhecidas, não. Desiste. Ninguém vai se importar se você se foder. Pode parar de lamentar. Ninguém quer saber das suas felicidades. A não ser, claro, pra invejá-las.
É. Seria muito sensato parar de escrever.
Mas essa porra é tão boa que não dá. Simplesmente não dá.
posted by Uma menina 21:21Discorde:
Tudo o que ela tinha era papel e caneta. Então ela escrevia.
Sobre coisas que nunca viu, cidades que ela nunca esteve, pessoas que ela nunca conheceu. Histórias de vidas que ela nunca poderia ter.
Tudo em montes de papel, e pilhas de canetas que acabavam, ao longo dos anos. Sempre escrevendo.
Tentava, muitas vezes, desenhar. Não era boa nisso, mas tentava. Para dar uma pitadinha maior de realidade às coisas que suas letras viviam.
Por ali, era livre. Mais livre que os pássaros no céu, ou os peixes na imensidão do Oceano. Sabia mais sobre o Universo que as próprias estrelas. Sentia a liberdade da maneira mais bela e pura.
Era livre... presa em seu quarto, rabiscando um caderno...
posted by Uma menina 18:38Discorde:
Cinza. Laranja. Amarelo. Cinza. Branco. Cinza. Azul. E a lua.
Ah, a lua...
posted by Uma menina 18:27Discorde:
Lindo dia pra casar. Ela estava feliz, muito feliz. Ele a amava muito.
Presentes. Convidados. A cerimônia, ah, bela cerimônia. O padre falou bonito.
O bolo? Uma delícia! Foi o dia perfeito.
Ela não conseguia entender como podia estar tão feliz. Tinha tudo o que queria. A família estava contente. O seu seria o melhor dos maridos. Sua vida estava se completando.
A lua-de-mel seria igualmente perfeita. Tudo como havia sonhado um dia, quando ainda era menina.
Quem diria que ela acordaria numa cama de hospital, com seqüelas permanentes, surda, depois de apanhar do marido que a amava tanto?
posted by Uma menina 22:35Discorde:
Eu não tenho amigas. Perdi-as para o tempo, a distância, e pequenos acontecimentos que nos afastaram por falta de diálogo.
Não tenho com quem conversar. Não tenho com quem sair num sábado à noite pra tomar alguma coisa e rir à toa.
Não tenho pra quem ligar. Seja no meio da tarde, sejam 2h da manhã, não tenho um número pra discar, ninguém pra me atender.
Não tenho mais amigos, e parece que eles nem sentem falta disso. Dos poucos encontros que sobraram, nada se aproveitou, e foram encontros mais formais que qualquer outra coisa.
Não tenho mais com quem viajar. Com quem ouvir música. Com quem comer um escondidinho de carne seca num barzinho fuleiro de uma cidade pequena de interior.
Não tenho um amor. Pretendentes não são amores. Sinto não ter um amor.
Não tenho vida. Muito menos morte. Não tenho nada.
...nada...
posted by Uma menina 22:37Discorde:
Era um dia como esse. Um dia de outono no verão.
Era, ainda mais, um 16 de março. Tardezinha.
Ela saiu de casa, meio trêmula. Nervosa por motivos que nem ela mesma entendia. Inventou um pretexto e saiu.
Comprou cigarro. Fumou só um, guardou o maço. Começou a pensar.
Pensou, pensou, pensou.
E de tanto pensar, não percebeu quando começou a andar pela rua movimentada.
E não viu quando um carro veio em sua direção.
Só teve tempo de ainda pensar que deveria ter parado de fumar.
posted by Uma menina 19:51Discorde:
Relíquias de mamãe:
"A vida é o próprio mar. Venturas e desventuras são suas marcas, mas cabe ao navegador acreditar que sua força está em seu pensamento, que é a onda destruidora das tormentas, e que a palavra escrita poderá levá-lo a outros mares".
posted by Uma menina 17:40Discorde:
Não, não cortei meus pulsos.
Tampouco tomei remédios.
Não pulei da janela do meu quarto.
Não me enforquei com uma corda podre.
Por que?
Covardia.
posted by Uma menina 15:51Discorde:
E lá estava.
Estática. Orgástica. Inacreditável.
O mundo sumiu, o passado sumiu, o futuro nunca veio. Existia o agora. Só o agora.
Agora, agora, agora.
posted by Uma menina 17:43Discorde:
O sol me cegou, mãe. Preciso da sua ajuda agora. Preciso da sua ajuda porque não consigo mais andar. Não vejo nada além de um preto constante que atormenta minha mente. Não vejo nada, mãe. Dá sua mão aqui, me ajuda a levantar, não sei aonde vou parar, como vou conseguir andar? Me ajuda, mãe, que só você pode. Dá suas lágrimas que curam pros meus olhos cansados. Deposita aqui seu amor infinito que vai além dos olhos. Descobre uma maneira de ajudar sua filha desesperada, mãe. Porque o sol me cegou. E só tenho você comigo agora.
posted by Uma menina 16:46Discorde:
Ele não me viu.
Afinal, porque haveria de ver? Ser invisível é isso. Estar longe da mente, estar longe do coração, estar longe... Ele não me viu.
Não me viu caindo, não me viu perdendo o controle. Não viu o choro desesperado que eu tentava segurar. Não viu meu rosto enquanto eu gritava por ajuda. E não viu quando ninguém ajudou.
posted by Uma menina 16:36Discorde:
Chore agora, menina. Chore enquanto há tempo. Amanhã o sol não se lembrará de você e voltará a brilhar. Chore, menina, enquanto pode. Suas lágrimas secarão e só sobrará a amargura. Chore agora enquanto não lhe ouvem. Aproveite a solidão para você mesma. Aproveite as lágrimas para o seu choro sincero. Chore, que ninguém vai ver seu rosto marcado, a maquilagem manchada, o orgulho ferido. Chore, que está tudo bem. Chore, que está tudo errado. Chore, que é o choro baixinho encurralado no canto do olho. Deixe ele chorar.
posted by Uma menina 20:57Discorde:
Era um mundo diferente. Um mundo mágico, encantado. Uma coisa que as palavras não conseguem explicar, uma sensação só minha, e de mais ninguém. Olhando pela janela, o céu de tantas cores, todas passando uma calma intensa, uma certeza de que tudo acontece por uma razão, e que tudo está onde deveria. Poderia sair voando, e tocar aqueles tons alaranjados, aqueles tons azulados, aquele branco das nuvens. Podia sentir o vento em meu rosto, o cheiro da grama verde, maravilhoso. Podia tocar as torres ao longe. É só uma questão de perspectiva. Estão todas ao meu alcance. Podia pegar as luzes ao longe, uma a uma, como gotas de chocolate num bolo caseiro. Podia manejar os carros, para que eles fossem aonde eu quisesse. As pessoas, todas da minha imaginação, andando, e fazendo parecer aquela cena tão real. O céu vai escurecendo, e mais gotas de luz aparecem. Ainda posso pegar todas. Posso colocá-las no céu e chamá-las de estrelas. Posso sentir a chuva chegando. Sinto as pessoas se escondendo, porque não preciso mais delas pra realidade. E a lua me chama, mais uma noite, pra namorá-la. Uma lua branca, uma lua cinza, uma lua laranja. A lua que eu quiser. E os pássaros dançam em torno dela, como num baile, e eu observo tudo, maravilhada, da minha janela. Porque se eu quiser, posso alcançar tudo.
posted by Uma menina 18:57Discorde:
Um frio... uma música triste... a chuva... e uma solidão, velha conhecida minha...
É quarta-feira de cinzas.
Nunca soube exatamente o significado dela. Sei que antes as pessoas tinham muito mais respeito pela quaresma do que hoje. Mas afinal, não existe mais religião. Crenças foram trocadas por mulheres semi-nuas na televisão. Quaresma não passa de uma ressaca prolongada.
E eu continuo não entendo o porquê de tudo isso.
Quem sabe um dia, num lugar distante, não mais sozinha... quem sabe tudo um dia faça sentido...
posted by Uma menina 14:25Discorde:
E enfim, chega o Carnaval. Tão falada e esperada festa já tida como tipicamente brasileira há muito tempo. Muito samba, muita alegria, muita bebida, muito sexo. Muito acidente, muita briga, muito adultério, muita morte.
Ah, é Carnaval. Perfeita alienação social. Todos bebem, todos brincam, todos esquecem da miséria de nossas vidas. Belo Carnaval.
É tempo de viajar, curtir, não pensar em nada. O resto que se resolva. Mas afinal, o ano todo é Carnaval.
Como quase todos os anos, vou passar sem sequer sair na rua. Vou ler, vou estudar, vou ouvir muita música que não me lembre Carnaval. Porque, afinal, o ano todo é Carnaval. E pelo menos nesse feriado vou tentar esquecê-lo.
É... Carnaval...
Porra.
posted by Uma menina 21:55Discorde:
Certos momentos como esse é que me fazem ver como sou solitária e vazia. Não existe nada que eu poderia fazer agora que me faria sentir bem, ou simplesmente, tirar essa sensação nostálgica de tristeza.
Faz com que eu me lembre de outros tempos em que eu gostava de política, e chorava as dores do mundo, e amava ir à praia meditar ou ouvir Dirty Three. Mas agora, nada disso acontece.
Estou num apartamento. Novamente. Um apartamento impessoal e igual a tantos outros nesse mesmo prédio. E o que o difere dos outros é a sua capacidade de abrigar um peso-morto dentro dele.
Porque é exatamente o que eu sou.
Não brinco mais de política. Não me importo com os outros. Não amo mais a praia há tempos. Perdi, e isso quer dizer que perdi totalmente, o gosto pela vida.
Isso não é permanente, eu sei. Nada o é. Mas... o vazio...
Só há o vazio...
posted by Uma menina 22:25Discorde:
Não sei porque fiz esse blog. Ele não é pop, ele não tem características comuns a um blog, ele não é ultra divulgado. Nem sei se poderia chamá-lo de blog. Era meio que uma tentativa de fugir um pouco do cotidiano, uma vez ou outra. Nunca tive realmente muito tempo pra ele.
E agora, parece que vou ter menos tempo ainda pra mim mesma. Porque esse tempo que eu dispunha para aqui era um tempo pra mim.
Mas... tenho uma monografia pra preparar... coisas a estudar... uma vida toda pra tentar seguir em frente... uma vida toda pra tentar formar...
Não tenho nem mais tempo pra mim. Há meses não saio pra beber, pra esquecer de tudo, pra fazer alguma coisa louca. A última vez que isso aconteceu, aparentemente, foi uma despedida da vida que eu estava acostumada a ter.
Mais uma vez estou perdida. Mais uma vez ouço vozes que fingem querer me ajudar. Mais uma vez me escondo num apartamento frio e solitário, tentando dormir por horas, sem conseguir pregar o olho, pensando em tudo que poderia ter sido evitado, ou ter sido feito.
Parece um tanto auto-piedoso. Mas tento não sentir pena da minha própria vida. Meus problemas são banais perto de tantos outros que sofrem sem nem ter um lugar pra se refugiarem.
E afinal, cada um escolhe seu próprio caminho. Mesmo que inconscientemente.
posted by Uma menina 15:34Discorde:
Desculpe, mas não posso dizer "te amo".
Não posso lhe dar todo o carinho e a atenção que você precisa.
O tempo me fez fria demais para corresponder às suas palavras. Experiências me ensinaram a ficar calada.
Desculpe não poder estar ao seu lado. Desculpe não poder te abraçar.
Existem barreiras. Não intransponíveis, mas existem.
E, desculpe-me, ainda lhe peço, mas não posso passar por elas.
posted by Uma menina 13:16Discorde:
Uma coisa realmente estranha aconteceu. Não gosto muito de escrever sobre meu dia-a-dia, ou qualquer coisa parecida, mas isso foi um tanto... atípico, pode-se dizer.
É muito comum não sabermos o paradeiro de uma pessoa, a ponto de não sabermos se ela está viva ou não. Quem nunca disse "nem sei se fulano está vivo, ainda"?
Mas... e quando você foi convencida de que uma pessoa estava morta... e tempos depois descobrir que tudo foi uma mentira? E pior... uma pessoa considerada um grande amigo que alimentou essa mentira, demonstrando muito pesar sem nem um pingo de arrependimento por ter escondido sobre uma vida que ainda não se foi?
Foi isso que aconteceu comigo. Há anos imaginei que uma vida havia terminado num acidente trágico. Há um mês descobri que nada disso aconteceu. Fui enganada. E por quem eu considerava um melhor amigo.
O que o levou a fazer isso? Realmente não entendo seus motivos. Claro que deve tê-los. Então, também tenho motivos para não ter mais confiança nele. Talvez um dia conseguiremos conversar sobre isso e entender o porquê de suas palavras. Mas respeito, confiança e a amizade que tínhamos... morreu, junto com a descoberta que ninguém havia morrido.
posted by Uma menina 20:12Discorde:
Foi um bom sonho. Desses que deixam triste, quando acabam.
Mas acabou.
Não existe mais a paz de espírito que o sonho proporcionou. Só uma estranha vontade de desaparecer. Ou aparecer. Uma coisa indefinida. Que ninguém entende.
Foi um bom sonho. Mas foi só um sonho.
posted by Uma menina 18:19Discorde:
Não sei o que sou. Só sei que não quero mais ser. Não quero mais nada. Não gosto de mais nada.
Ficaria feliz se conseguisse pular pela janela, como tantas vezes me sinto inclinada a fazer, e sair voando, pr'O-lugar-entre-dois-mundos, onde nada, absolutamente nada, seria diferente do que quero.
Sou egocêntrica, sim. E o primeiro ser humano que disser que não o é, que vá à merda com sua mentira infame.
posted by Uma menina 20:19Discorde:
"Você tem uma doença estranha que você quer ser criança pra sempre"
A frase foi a brincadeira de um amigo.
Mas pensando bem... crescer foi a pior coisa que me aconteceu. E que ainda me acontece.
Crescer está sendo muito chato.
Envelhecer tem sido... mais melancólico do que eu gostaria que fosse.
Queria ser criança pra sempre, sim.
Morar num sítio.
Ouvir histórias de uma preta velha e ficar com medo, imaginando se elas são verdadeiras, ou não.
Brincar as brincadeiras que crianças mais velhas me ensinaram, inventar minhas próprias brincadeiras.
Não me preocupar com o que está acontecendo com minha própria vida.
Mas não...
Cresci.
Se brinco, passo por boba. Se fico quieta, no meu canto, como é costume, passo por fechada, anti-social, arrogante.
Ninguém sabe me dizer o que querem de mim.
Eu não quero nada dos outros.
Só que parem de me olhar... me observar...
E me deixem em paz...
posted by Uma menina 02:46Discorde:
Olha só, que Natal diferente.
Normalmente, passo na casa de algum parente, e quando dá meia-noite, todos se abraçam e se desejam felizes natais, e eu só faço isso por inércia, porque não sinto espírito natalino, nem entendo de porque toda a festa. Não sinto nada que faça do dia 25 de dezembro, um dia tão especial.
Mas até que hoje foi um dia diferente dos outros anos.
Passei na estrada.
Quando era exatamente meia-noite, eu estava em algum lugar no meio da estrada que dá para o interior paulista, ainda faltando uma hora e meia pra chegar no meu destino final.
Olhei para o céu, todo estrelado, todo iluminado, claro, o céu perfeito das noites na estrada, do qual senti alguma falta em minha permanência prolongada em São Paulo.
E me senti muito melhor do que se estivesse ao redor de uma mesa farta de comida, com pessoas sorridentes e supostamente felizes se felicitando por uma coisa que ninguém mais entende.
Não ganhei presentes. Nem queria. Meu presente mesmo foi o céu. E o fato de ontem eu ter conseguido terminar dois livros, depois de duas semanas sem conseguir ler uma página.
Pois é, voltei pro interior. Só por um dia, mas voltei.
Infelizmente, não poderei ler, por não ter comprado algum livro. E não sei dizer se infeliz ou felizmente não vou ver todas as pessoas que deveria, por falta de tempo.
Desde que me mudei, não senti saudade de ninguém daqui. Ninguém.
Nem mesmo de um caso mal resolvido que tentou me ligar semana passada. Mudei meu telefone.
Agora... não sei o que fazer...
Talvez dormir... e de manhã, vagar pela cidade.
Pois é.
Feliz Natal.
posted by Uma menina 02:19Discorde:
Pois é, estou trabalhando.
Não, não é como das outras vezes, como quando dei aulas de inglês por seis meses e nunca me pagaram um centavo, nem quando trabalhei como sei-lá-o-que numa fábrica e me pagaram com uma alimentação xula e nada de dinheiro.
Dessa vez, tenho carteira assinada, comissão, e toda aquela burocracia chata e irritante de uma pessoa que realmente trabalha. E o pior de tudo é que estou vendendo roupas que não tem absolutamente nada a ver comigo, ou com o meu estilo. E estou vendendo bem.
Fiquei até meio assustada quando percebi que estava dançando ao ouvir uma música escrota da Britney Spears e dizer que a blusinha ultra-fashion que uma menina tinha experimentado era "tudo de bom". Mas estou trabalhando.
Como minha primeira experiência no mundo do trabalho com carteira assinada, horário e cota a cumprir, devo dizer que está sendo muito bizarro.
Não posso mais ler. Chego em casa exausta, tomo um banho, coloco um cd pra tocar e durmo feito condenada. Sem ler, não me sinto disposta a escrever. E quando escrevo, é somente um pequeno diário do que tenho feito, de algumas sensações inúteis, e nada que valha a pena.
Estou chorando. Bastante, aliás. O que não é nada normal, sendo que a última vez que chorei foi num velório, há dois anos.
Na minha folga (minha primeira), saí para fazer algumas coisas. Quando voltei pro apartamento, chovia, e não acendi a luz. Fui até a sacada e fiquei chorando, no escuro. Tomei um banho e deitei no chão da sala. Comecei a reparar no apartamento.
Como ele é pequeno. Um quarto. Uma sala. Uma cozinha. Um banheiro. Sem fogão, sem vídeo, sem rádio, sem nada. Uma cama, um sofá, uma cadeira abarrotada de papéis. Nunca me sentei na cadeira. O sofá, só dá pra usar metade como sofá. A outra metade está cheia de livros, cds, revistas, contas. A cozinha... uma infinidade de nada.
Pois é. Deitei no chão e dormi. Percebi que esse negócio de trabalhar mesmo não é muito pra mim.
Mas já que me lancei ao desafio, vou cumpri-lo até o final.
Estou me virando bem aqui na Frei Caneca. Conheci já algumas pessoas e conquistei, estranhamente, alguns clientes.
Vai saber o que é que vai dar.
E quem me vier com bom Natal, que se foda.
posted by Uma menina 19:58Discorde:
Por que quando tudo parece estar calmo, algum acontecimento faz minha cabeça ficar toda confusa a ponto de querer, novamente, sumir do mundo?
Uma coisa que eu não entendo é como as pessoas relacionam beijos e carícias físicas com sentimentos. Como conseguem juntar o mundo físico e o espiritual tão facilmente? A coisa mais fácil do mundo é ficar com uma pessoa. Outra coisa, muito mais complicada, é conviver com ela, aceitar as diferenças, e ainda assim se dar bem.
Pra mim, relacionamentos são impossíveis. Não consigo me prender sentimentalmente a ninguém. Nunca consegui nem com meus próprios pais, quanto mais um estranho qualquer que apareceu há poucos meses na minha vida. Nada de palavras doces, discutir a relação, romantismo exacerbado. Já tentei. Nunca me senti bem.
Então, resolvi partir para somente o contato físico, para a satisfação carnal, e continuar com minha vida vazia e medíocre como sempre foi. Sozinha.
Tantas mulheres reclamam que os homens não querem relacionamento. E as que não querem, acabam achando justamente os poucos no mundo que querem coisa séria.
No que eu me meti?
posted by Uma menina 00:27Discorde:
Num mundo caótico, cheio de problemas tão imensos e pseudo-importantes, preocupo-me, agora, somente com meus problemas banais, pessoais, ínfimos e, patéticos.
Então, tranco-me em casa, ouço músicas numa seqüência estranhamente eclética, e páro agora numa versão magnífica que The Doors fez para "Stairway to heaven" do Led Zeppelin. And it makes me wonder...
Minha vida pode não estar exatamente nos eixos. Mas creio que sempre faço tempestades em minúsculos copos d'água, que não mereciam metade da minha atenção.
Querendo ou não, o fato é que estou vendo minha vida de forma totalmente caótica. E quer saber? Foda-se.
Quero que tudo se exploda, e morro de rir se alguém me manda ir dar a bunda. Quero que se fodam os bons modos e a boa conduta. Quero que se foda a moral, o que pensam de mim, o que vão achar do que eu falo ou de como me comporto. Quero que se foda o dia seguinte. Quero que se fodam as festividades e toda essa propaganda consumista irritante.
E quero que você se foda, também.
posted by Uma menina 22:41Discorde:
Rimas fáceis, calafrios
Não que devessem me compreender. Antes disso, não que devesse, no singular. Porque só me importo com uma opinião. Ao menos no momento. Não acho que me compreenderia em um milhão de anos. Culpa minha, como sempre. Sempre escondo ao máximo sentimentos, sempre evito falar o que realmente se passa em minha mente, e não consigo pensar em ninguém que saiba ao menos segredos banais meus. Até quem acha que me conhece, mal imagina o que se passa comigo. O que faço. Meus verdadeiros princípios. Meus verdadeiros vícios. Minhas verdadeiras manias.
Tudo o que conhecem é uma cortina de seda tocada por um foco de luz solar da manhã, esvoaçante, alegre, irônico, ousado, corajoso. Mal imaginam a pessoa covarde que se esconde por baixo dele. Mal percebem os berros desesperados que sufocam em minha garganta. Não acreditariam, se contasse. Certamente diriam "essa não é você".
Mas é. Essa é verdadeiramente a minha pessoa. Crua. Cheia de vícios. Com queimaduras de cigarro disfarçadas numa atitude anti-tabagista.
Não espero que compreenda. Não espero que perceba que tenho segredos, e pretendo mantê-los assim, longe dos olhares curiosos, das opiniões públicas, dos fofoqueiros de plantão. Não pretendo fazê-lo escolher entre mim e o nada. Não peço nada. Só quero explicar-lhe algumas coisas. Pequenas coisas.
Serão palavras difíceis. Andei treinando o dia todo, escolhendo frases perfeitamente colocadas num contexto que deveria permanecer em silêncio. Irritei-me. Mas pensei em tudo o que quero dizer. E todos os medos que tenho que esconder, para que o discurso pessoal saia perfeito.
Mas não estou lidando com uma multidão. Não sou pessoa pública que vai se defender depois de serem descobertos milhões de dólares em cofres suíços. Não devo nada a ninguém.
Teoricamente.
Sim, vai ser difícil. Mas se não o fizer, posso me arrepender pelo resto da vida. A vida pode não durar muito mais. Mas não quero meus últimos momentos cheios de palavras não ditas.
Palavras...ah, inimigas palavras...
posted by Uma menina 20:49Discorde:
Estou perdida.
E me perdi de quem poderia me mostrar o caminho.
E agora?
posted by Uma menina 22:01Discorde:
É tudo sem sentido. Tudo.
Mesmo não tendo morrido, mesmo que morresse. É tudo sem sentido. Não consigo ver nada que prove o contrário. Ninguém.
Porque ainda tento continuar com uma vida que já se desintegrou há tanto tempo?
posted by Uma menina 23:44Discorde:
Posso morrer, agora?
posted by Uma menina 21:33Discorde:
Cansei.
Cansei tanto, e de tal forma, que não consigo exprimir em palavras. E também não quero. Só quero dizer que cansei.
Cansei... de tudo. Da rua, da casa, dos móveis, das pessoas, do céu, da terra, da música, do silêncio, do sono, do sonho, do desespero, da tranqüilidade, da fantasia, da realidade, do amor, do ódio, da indiferença, das obrigações, da falta delas, da preguiça, do trabalho, de livros, revistas, filmes, conversas, histórias, poemas, da vida, da morte, do sucesso, do fracasso, das coisas a minha frente, das coisas atrás de mim, ao meu lado, dos namoros, da solidão, da felicidade, da tristeza, do calor, do frio, do vento, do sol, das nuvens, da chuva, dos animais, das minhas pernas, dos meus braços, das palavras, dos pensamentos, dos amigos, dos inimigos, dos desconhecidos, das viagens, da ida e da volta, da água, do fogo, das dores, das imensas dores. Cansei. De tudo. E mais do que tudo isso, cansei de mim mesma. Cansei do que eu era. Cansei do que me tornei. Cansei do que achei que me tornara. Cansei de insistir em ter esperança. Cansei de fingir que sou corajosa. Cansei de me mostrar alegre. Cansei de me mostrar tristonha. Cansei de viver. Cansei de não viver. Simplesmente cansei.
Não espero entendimento. Não espero nada. Estou sendo empurrada, apenas. Empurrada a dormir, a acordar, a comer, a me mexer. Porque, por mim, não faria nada. Absolutamente nada.
Cansei.
posted by Uma menina 19:59Discorde:
Disorder Rating Paranoid: Moderate Schizoid: High Schizotypal: High Antisocial: Low Borderline: Moderate Histrionic: Low Narcissistic: Moderate Avoidant: High Dependent: Very High Obsessive-Compulsive: Moderate
-- Personality Disorder Test - Take It! --
posted by Uma menina 18:54Discorde:
Eu não entendo... não entendo esse sentimento...
Essa coisa que toma conta de mim, essa tristeza da meia-noite, uma coisa sem nome, sem forma, que é preciso sentir pra que eu me lembre quão mal me sinto quando ela chega.
Uma solidão, um bloqueio, e o universo é diminuído para o que eu encontro na minha frente. Não existe nada além da parede que vejo. Não existe nada à esquerda. Não existe nada à direita. O que eu não enxergo não existe. Não me lembro de nunca terem existido.
Não consigo ser, não consigo existir, não consigo nada. Só estou aqui. Ocupando um lugar inútil no espaço. Sem propósito. Sem futuro. Sem passado. Sem presente.
O que acontece? Eu consigo passar bem o dia. Faço piadas. Dou risadas. Forçadas, muitas vezes, mas são risadas. Abraços, beijos, palavras doces, comentários sobre o tempo. E quando percebo, é noite. Gosto da noite. A noite faz bem.
Mas à meia-noite, alguma coisa acontece. E o Vazio toma conta de mim. Como a Náusea do livro de Sartre. Tudo fica estranhamente inútil. Mais do que o normal. Mais do que podia. Mais do que eu queria.
E eu me percebo tão vazia, tão inútil, tão...nada. Não consigo imaginar o tudo. Não consigo imaginar o nada. Não odeio, não amo, não rio, não choro, não ando, não caio, não durmo, não desperto, há somente o nada.
Penso em fazer alguma coisa. Ler um livro ao relento. Levantar pra beber água. Ligar para um amigo distante. Escrever uma carta. Nada disso vai se fazer verdade. Nem agora, nem amanhã. Vou simplesmente desligar o computador, encarar o escuro por alguns minutos, me levantar, trombar em portas até chegar à cama em que vou me deitar, imóvel, como caí, de olhos abertos, tentando enxergar alguma resposta na escuridão solitária do nada. E só acho nada. Porque só existe o nada.
Sinto uma certa tristeza. Poderia dizer, tão profunda, que não consigo chorar. Essa tristeza vem quando, do nada, começo a pensar no tudo. Em coisas que não existem. A não ser na minha imaginação. É uma coisa estranha, não sei se consigo explicar.
Sei que estou escrevendo uma coisa um tanto enfadonha e comprida, comprida o suficiente pra fazer qualquer pessoa parar de ler na metade. Não sei se quero parar de escrever por causa disso.
Não sinto vontade de fazer o que normalmente faria. E não sinto vontade de fazer nada novo. Estar aqui e não estar parecem ser a mesma coisa. O mundo ficaria indiferente ao meu desaparecimento. Assim como eu ficaria indiferente ao desaparecimento do mundo.
Penso em estrelas, e galáxias, e planetas, e coisas que meu pai costumava me dizer quando eu era criança. E entendo porque ele dizia pra eu não pensar demais nisso, ou enlouqueceria.
Não sei como terminar esse post. Não sei se devo postá-lo ou apagá-lo. Não sei se devo continuar conversas fúteis e sem qualquer fundamento. Não sei se devo viver. Não consigo enxergar nada, nada, nada, que faça qualquer coisa ter sentido.
Coloco uma música pra tocar. "Forgiveness". Não saberia descrever a sensação que tenho ao ouvi-la. Talvez deveria recomendá-la.
Não a ouça. Talvez seja ela a culpada por essa minha sensação de incapacidade.
posted by Uma menina 01:04Discorde:
Dirigir é um desses pequenos prazeres que eu sempre adorei. Nunca me neguei a pegar o carro, mesmo que só para uma voltinha.
Mas... hoje foi tão bom alguém dirigir e eu ficar no banco do passageiro, um pé no console do carro, o outro num chão instável, o vidro do carro aberto, os cabelos embaraçando no vento, a noite chamando, as estrelas, normalmente escondidas da cidade, mostrando como fazem bem ao céu na estrada. Foi tão calmante... uma calma inexplicável ia tomando conta de mim enquanto o vento cortava meu rosto e secava meus olhos, que se recusavam a piscar com freqüência, com medo de perder alguma coisa.
Não vi a lua. Normalmente a lua que me conforta. Hoje as estrelas desempenharam o papel tão bem que só me lembrei da lua quando tudo ficou escuro e eu ouvi as palavras "não posso deixar os faróis desligados, senão bato o carro". Acho que a maioria das pessoas não gosta desse meu hábito de querer tudo escuro.
Fiquei, então, olhando o céu.
Me lembrei de um quadro na casa da minha avó. E como eu costumava olhá-lo quando era pequena. E comecei a lembrar de coisas da minha infância, nas férias na casa da minha avó. De meus momentos solitários. De fotos de parentes mortos. De horas que eu ficava observando o quadro, uma praia deserta à noite, e um céu numa tonalidade irreconhecível. Não conseguia encontrar em minha memória céu igual. Até hoje.
Gostei da sensação. Gostei de me lembrar de minha avó e da voz infantil de minha tia. E da minha imagem olhando o quadro.
Fiquei pensando se podia ser noite pra sempre. Percebi que se não houvesse o dia, e ainda assim houvesse vida, não apreciaria tanto a noite. Seu frescor. Suas sombras. Sua música.
Amo a noite porque conheço o dia.
E à noite tudo (ou quase tudo) de que fujo, dorme. E eu posso ser eu mesma. E voltar à infância. E não preciso fingir que me preocupo com nada. Posso cantar baixinho. Posso cantar alto. Posso fechar os olhos e sentir o vento.
Posso viver.
posted by Uma menina 22:45Discorde:
This are the blues
Domingo... Meia-noite e quarenta... e eu em casa... ouvindo músicas deprimentes, me afogando em uma pseudo-tristeza muito da burguesa.
Um copo vazio... uma lixa de unha que se fez útil quando uma delas quebrou... Uma mensagem...
Uma mensagem que não deveria me causar efeito nenhum... mas causa...
Me faz pensar se viajo ou não essa semana. Me faz pensar se devo ou não dormir. Ou sonhar.
Mas é tudo tão...ínfimo.
Tudo a minha volta... e nada faz sentido... Se algum dia houve sentido, se perdeu na penumbra.
Quero tanto descobrir alguma coisa que me motive. Mas não acho. Nada me motiva. Nem a música. Nem a palavra escrita. Nem filmes. Nem nada.
O que fazia sentido morreu. Sumiu. E sobrou uma carcaça podre e patética que eu costumo chamar de corpo.
Estagnei.
Só quero olhar pro copo vazio. Nem enchê-lo tenho vontade. Quero apenas fitá-lo sem vê-lo e ver se descubro alguma coisa. Alguma coisa pessoal. O que falta.
Tudo falta onde nada falta.
Começo a ter sono tão cedo, agora. Já me sinto sonolenta. Devo dormir? Ou devo permanecer acordada até meu corpo morrer na exaustão?
Nada me motiva. Nem a vida, nem a morte.
Perdi tudo. Simplesmente isso. Perdi.
posted by Uma menina 01:57Discorde:
Nada. Só um branco.
posted by Uma menina 20:49Discorde:
"Sabe qual é o meu sonho?"
Às vezes falamos isso quando alguma coisa, qualquer coisa, nos está incomodando num certo momento. No calor, o sonho é esquiar. Num dia melancólico de chuva e vento, o sonho é alguém ao lado. Quando estou cercada de pessoas, o sonho é estar sozinha. Quando estou sozinha, me pergunto porque não estou com alguém.
Mas hoje, logo cedo, estou sentada, ouvindo 40 pessoas falarem simultaneamente sobre assuntos diversos. E não consigo prestar atenção em nenhum desses assuntos. Nem mesmo nas pessoas que se dirigiam a mim. De repente, uma colega vira-se para mim e faz um comentário sobre o "sonho" dela. E quando seria minha vez de dizer "sabe qual é o meu sonho?"... eu não consigo pensar em nada. "...não tenho nenhum sonho agora. Acho que quero ficar parada aqui pra sempre".
Acho que quero ficar parada pra sempre. Acho que quero ficar andando pra sempre. Acho que quero fazer o que estiver fazendo, em qualquer circunstância, pra sempre. Talvez por saber que nada dura pra sempre. Talvez por imaginar que eu consiga, finalmente, dormir pra sempre.
Mas quando você toma a decisão de se colocar para dormir, e não é bem-sucedida, as pessoas passam a te olhar como a um bicho. Um bicho de circo maltratado e subnutrido que comeu vinte pessoas em uma apresentação no interior da Bahia e agora vai ser morto para não causar mais problemas. A diferença é que, como ser humano, você é obrigado a viver quando quer morrer.
Faço o seguinte, então. A vida não me deu escolha quando vim ao mundo. Mas vou dar mais uma chance à vida. A antiga Tatiana Pavlovna Miaggenco morreu naquele domingo sombrio. Mesmo seu corpo não tendo conseguido o mesmo que sua alma, ela morreu. E agora uma pessoa, ainda sem identidade, ainda sem sonhos, ainda sem passado, nem presente, nem futuro, tomou seu corpo, com uma dessas coisas que as pessoas gostam de chamar de esperança.
Não sei porque estou fazendo isso. Realmente não sei.
Só espero que funcione. Boa sorte, nova alma. Aproveite o corpo que a outra lhe deu.
posted by Uma menina 21:31Discorde:
Remember when we were young?
Com a ressaca, vem a nostalgia. E, analisando toda a minha vida, começo a perceber que deveria ter parado de envelhecer aos cinco anos. Cinco anos.... idade perfeita... idade inocente e despreocupada... idade em que é possível ficar de topless sem chamar tanta atenção como acontece agora... idade em que meninos e meninas são, antes de tudos, caçadores de minhocas... idade em que a preocupação maior é quantos ovos de páscoa vão ser deixados pelo coelhinho esse ano...
É, definitivamente, a melhor idade.
Por que eu cresci?
posted by Uma menina 18:11Discorde:
"Conhaque! És um belo companheiro de viagem. És silencioso como um vigário em caminho, mas no silêncio que inspiras, como nas noites de luar, ergue-se às vezes um canto misterioso que enleva! Conhaque! Não te ama quem não te entende." Álvares de Azevedo, Macário
Bem vindo de volta, conhaque.
posted by Uma menina 01:39Discorde:
Não sei o que acontece. Quando acho uma coisa, é sempre outra.
Tenho febre, mas o termômetro não marca. Febre da mente.
Meus dedos pedem cordas. Mas as cordas estão lá. Eles que não percebem.
Minha mão quer caneta, que quer papel. Está tudo no lugar. Mas não está.
Falta alguma coisa. O que faz as coisas funcionarem.
"Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos."
Álvaro de Campos
posted by Uma menina 20:09Discorde:
Por que minha cabeça dói tanto?
Não importa.
Só sei que a bebida aproxima as pessoas. Ou a simples menção dela.
Um fato hoje me fez perceber como tudo gira em torno do alcoolismo. Tudo. No exceptions.
Conversando com uma amiga sobre absintos e licores de menta, um homem com o qual convivo há... quatro semanas, e com quem nunca tive muito assunto, fez um comentário. Um comentário concordando com minha opinião sobre o licor de menta.
Daí pra frente, parecíamos velhas senhoras fofocando sobre a vida alheia e pedindo receitas de bolinhos de bacalhau. Com a diferença que as receitas eram de bebidas caseiras e imitações de amarula e licores diversos. Mas éramos como velhos amigos. Ou quase isso.
A bebida rege a vida social. Incrível como passei anos ouvindo o contrário de meus pais.
A bebida rege a vida em geral.
O fim de semana promete. Promete mais uma semana de tentativas de esquecimentos.
posted by Uma menina 21:06Discorde:
Voltei a ouvir músicas que não ouvia há meses.
Voltei a ouvi-las, porque de uns tempos pra cá, só as escutava. Só escutava o barulho conhecido como melodia, e só escutava o que chamamos de letras. Voltei a ouvir a música. E a sentir a letra.
Voltei a ouvir músicas sem letras. "Instrumental", diriam. Música sem letra. A música fala por si só. Você a entende como quiser.
Voltei a emagrecer. Tinha parado por uns tempos, mas de domingo pra cá, percebi que foram-se 2,3kg. Talvez fosse bom voltar a comer.
Voltei a sonhar. Não como antes. Antes era melhor. Antes era profundo. Antes eu tinha algo pelo que lutar. Antes eu tinha ideologias, e crenças. Agora sonho com o tempo que não volta mais. E o tempo que não vai vir.
Voltei a beber. Coca Light. Nem mais um vinho. Nem mais um conhaque.
Voltei a dormir. Muito. Exageradamente. Letargia, seria?
Voltei a fazer minhas unhas. E lembrei como é difícil colocar o esmalte escuro perfeitamente nelas.
Voltei...
E afinal de contas... não voltei nada... o mundo só vai pra frente... nada volta... o que eu pensava antes me faz falta hoje. Mas não volta.
O tema da volta é repetido. Mas não é volta ao tema. Porque tudo muda. Há um minuto não era o que sou agora.
Adeus, tempo.
posted by Uma menina 21:03Discorde:
Recebi um e-mail de uma amiga que não me escrevia há tempos. É tão bom reparar como muda o estilo de uma pessoa escrever de acordo com as circunstâncias, o tempo, o estado de espírito.
O humor está em constante mutação, e assim também tem que viver a maneira de escrever de cada um. Claro que um estilo é inconfundível. Mas alguma coisa existe no mundo das palavras pra denunciar as emoções.
Minha amiga muda constantemente. Não direi que não mudo. Aliás, mudamos juntas. Mesmo separadas. Minha mãe costumava dizer que essa coincidência no humor chama-se "transferência de pensamento". Pra mim é só afinidade.
E fico a ler suas linhas. Misturadas com inglês e francês, numa carta ao mesmo tempo alegre e melancólica.
E vem a nostalgia...
posted by Uma menina 17:05Discorde:
Minha cabeça gira, tenho fome e não consigo comer, não consigo pensar, não consigo escrever, minhas mãos tremem.
Minhas mãos tremem. Em duas linhas que escrevi aqui, só não errei três palavras. "Backspace". "Backspace". "Backspace".
Eu erro. Erro muito. Erro tanto. Erro feio. E a tontura volta. A pressão baixa. Não durmo. Não consigo. Não como. Enjôo. Não bebo. Aversão à bebida. Não ando. Não leio. Não ouço.
Me sento e tento escrever. Preciso conseguir escrever. Nada. Venho ao blog. "Backspace". Ouço música. Escuto. Não ouço. Escuto um som distante. As caixas de som ao meu lado. O som é distante.
Não quero conversar. Não quero ver pessoas. Me esqueçam. Me esqueçam. Me deixem. Me deixem tremer. "Backspace". Me deixem enjoar. "Backspace". Me deixem só. Só. "Backspace".
Não existe "backspace" na vida. Não existe vida.
posted by Uma menina 13:17Discorde:
Não acredito que Vinícius morreu.
Não acredito como pude ser tão má mãe.
Não acredito que tudo o que eu posso fazer agora é tocar violão.
E ele não vai voltar.
posted by Uma menina 21:19Discorde:
Não sou livre. Nunca estive livre. Foi só uma ilusão passageira. Um pensamento encobrindo outro. Mas tudo volta. Tudo sempre volta. Só acho uma conclusão: nunca vou estar livre.
Odeio você, prisão maldita.
posted by Uma menina 23:02Discorde:
Os olhos ardem. Culpa do calor.
A pele de mármore começa a rosar. Culpa do calor.
O cabelo, já sem cor definida, agora é queimado, seco, liso, amarelado. Culpa do calor.
Andar na rua é tortura. Suor. Pessoas suadas. Odores de gente. Gente rindo. Gente tomando sorvete. Gente tomando sol. Gente tomando água. Gente. Gente. Gente.
Culpa do calor.
posted by Uma menina 20:30Discorde:
Em momentos conturbados, é preciso esquecer do limite. Ultrapassá-lo, e deixar-se levar pela beleza do vinho deixando-se cair na taça.
Nesses momentos de dúvida, sei que não vou achar resposta alguma perdendo a razão. Mas também sei que a sobriedade não me ajudará a descobrir nada.
Impossível não fazer nada... "estúpido". Foda-se o estúpido.
Quero ser estúpida pelo resto de meus dias.
posted by Uma menina 14:15Discorde:
Odeio quando passa a bebedeira antes que eu esteja dormindo.
Ao menos alguém ocupa minha cama.
Ao menos conheci alguém.
Por uma noite. Só uma noite.
Não poderia dormir sozinha.
posted by Uma menina 05:09Discorde:
Estou beê bada.
Roatal.
E mnào são nem duas hroas aidna.
A noit e 'equ euma craincaça.
posted by Uma menina 01:59Discorde:
Preciso de seus lábios. E de seus cabelos ao vento, negros, me chamando.
Preciso ouvi-lo. Senti-lo. Vê-lo.
Me desfazer em seus braços. Ou simplesmente me imaginar neles.
Só preciso disso.
Preciso de um licor. De um conhaque. De um vinho barato comprado no mercado do bairro.
Preciso de brisa marinha. Cheiro de dama-da-noite. Figuras desenhadas com carvão.
Sair. Ficar em casa. Preciso de algo.
Preciso... de vida. Ou de morte. Tudo menos o meio-termo em que me encontro.
Preciso de uma razão. Uma motivação.
Amigos, inimigos, conhecidos, todos se vão.
Preciso do certo e do errado. E da serenidade pra saber distinguir o melhor do pior pra mim.
Preciso dormir. E procurar nos sonhos uma explicação lógica para o absurdo.
O absurdo do mundo.
Mas onde conseguir isso?
posted by Uma menina 00:34Discorde:
Fazendo um balanceamento de tudo o que quero, vejo que vou morrer sem conseguir a maioria.
Quero aprender a assobiar com os dedos.
Pular de bunggie jumpie.
Tocar num show com alguém famoso.
Fazer um filme.
Expor quadros.
Pular de asa-delta.
Conhecer o Egito.
Fazer aulas de mergulho na Austrália.
Fugir de algum lugar.
Passar uma temporada num castelo.
Surfar.
Andar de Skate.
Ser náufraga de um grande navio.
Pular de pára-quedas.
Ser bem-sucedida profissionalmente.
Escrever um livro (inteiro).
Participar ativamente de uma obra social.
Ter um caso com Vinícius de Moraes (ressucitá-lo, talvez).
Sair sem lugar pra ir e descobrir um mundo novo.
Ter um grande amigo sem envolvimento amoroso.
Viver um grande amor.
Adotar uma criança.
Ter "a" sensação de ser mãe.
Não ter medo de viver.
posted by Uma menina 22:40Discorde:
Onde estou? Quem eu sou?
Qual a minha idade? E minha identidade?
Sou virgem? Sou mãe?
Sou leal? Tenho amantes?
Sou brasileira? Estrangeira?
Colombina? Anna Karenina?
O que sou? O que serei?
Pra onde vou? De onde vim?
Tenho amigos? Inimigos? Conhecidos?
Me conheço? Desconheço...
Desconheço razão...
...de tudo...
...de todos...
...tudo é vago...
posted by Uma menina 19:35Discorde:
Há mais de uma semana que não tem uma gota de álcool no meu organismo.
Não estou querendo parar de beber, não fui obrigada a isso, e não há nada que me impeça de abrir mais uma garrafa de vinho. A não ser a maldita falta de tempo. A maldita oportunidade de ficar sozinha. A maldita oportunidade.
Ainda não entendi porque viajo tanto. Mais um exemplo. Acabei de voltar. Mais uma viagem. Pra que viajar, se sei que vou sempre voltar para essas paredes frias, impessoais, assustadoras?
Não deveria mais sair daqui. Ou deveria sair e nunca mais voltar.
Tremedeiras. Talvez a falta do álcool. Ou o excesso de chocolate e cafeína. Ou ambos estão me desestabilizando.
A quem quero enganar? Não são meros objetos que me fazem tremer.
Sei bem o que é.
E é a viagem que cura isso.
Não a volta. A 3h da minha cidade, as mãos já tremem, tenho que controlar os pés.
Mas a ida é boa.
A ida é tranqüila.
Acho que vou viajar de novo.
posted by Uma menina 22:12Discorde:
Não sei.
posted by Uma menina 21:42Discorde:
Não costumo responder a essas perguntas. Acho uma perda de tempo tremenda, além de não interessarem a mais ninguém além da própria pessoa que responde.
Perder tempo e não interessar a ninguém. Exatamente o que eu quero agora.
Três coisas que me assustam:
01 | o mundo
02 | solidão
03 | multidões
Três pessoas que me fazem rir:
01 | L.F. Veríssimo
02 | Jim Davis
03 | Aqueles caras que levam mensagem subliminar a sério
Três coisas que eu amo fazer:
01 | beber
02 | dormir
03 | escrever
Três coisas que eu odeio:
01 | acordar cedo
02 | calor
03 | pessoas
Três coisas que eu não entendo:
01 | pessoas
02 | física quântica
03 | o significado de infinito
Três coisas em cima da minha mesa:
01 | copo
02 | caneta
03 | rascunhos
Três coisas que eu estou fazendo agora:
01 | bebendo
02 | enrolando para não fazer o que preciso
03 | me correspondendo com uma amiga
Três coisas que eu quero fazer antes de morrer:
01 | usar alguma droga ilegal
02 | ter um caso com alguém famoso
03 | ter algum trabalho reconhecido
Três coisas que eu sei fazer:
01 | gritar na rua
02 | beber
03 | entrar de bicão em festas e camarins
Três maneiras de descrever minha personalidade:
01 | confusa
02 | indeterminada
03 | insuportável
Três coisas que eu não consigo fazer:
01 | organizar minha vida
02 | jogar capoeira
03 | acordar sem dor de cabeça
Três bandas/cantores que eu acho que você deveria ouvir:
01 | The Gathering
02 | ColdPlay
03 | Rasputina
Três bandas/cantores que eu acho que você NUNCA deveria ouvir:
01 | The Calling
02 | Rouge
03 | Qualquer uma de Axé
Três coisas que eu digo freqüentemente:
01 | "meu"
02 | "foda-se"
03 | "argh"
Três das minhas comidas favoritas:
01 | pão com ovo
02 | arroz com feijão
03 | batata frita
Três coisas que eu gostaria de aprender:
01 | mais línguas
02 | tocar piano
03 | a controlar meus nervos
Três coisas que eu bebo regularmente:
01 | coca light
02 | vinho
03 | água com remédio
1. Seu nome ao contrário? - ocneggaiM anaitaT
2. De onde você tirou seu nick? - Do fato de eu ser uma
3. Você é homossexual? - Não
Descreva seu(sua)..
[×] Carteira - Velha e vazia
[×] Escova de Cabelo - de madeira
[×] Escova de Dentes - uma em cada cidade
[×] Ornamento/Jóia usado diariamente - Corrente com um cristal dado por um amigo
[×] Coberta/Edredon - quente
[×] Caneca de Café - é só ter café que tá valendo
[×] Camiseta preferida - ?
[×] Tatuagens - flores nas costas
[×] Piercings - na orelha
[×] Roupa que estou usando - Camisola
[×] Na boca, eu tenho - dentes
[×] Na cabeça, eu tenho - cabelo
[×] Estou querendo - dormir
[×] Pessoa que queria ver - Vinícius de Moraes
[×] Coisa que está perto de mim - meu violão
[×] Depois disso eu vou - secar meu cabelo e ir dormir
[×] Se pudesse matar alguém e sair impune, quem seria e por que? George Bush e FHC
[×] Filmes preferidos? Muitos
[×] Algo que estou esperando para o mês que vem - Mais uma viagem
[x] Última coisa que eu comi - aquelas bolachinhas com chocolate
[×] Algo de que eu tenho medo mortal - Facas
[×] Gosta de velas? - Quando acaba a energia
[×] Gosta de incenso? - Não
[×] Gosta do gosto de sangue? - Não me lembro de ter provado
[×] Acredita no amor? - Não
[×] Acredita em almas gêmeas? - Não
[×] Acredita em amor à primeira vista? - Não
[×] Acredita no Paraíso? - Sim, meu cantinho na praia o é
[×] Acredita em Deus? - Sim
[×] Meu pior inimigo - Eu mesma
[×] Se pudesse ter qualquer animal de estimação - Nenhum
[×] Doce preferido - Diamante Negro
[×] Uma coisa que eu queria que entendessem - O que eu digo quando surto
[×] Uma coisa que eu queria entender melhor - O que eu digo quando surto
Eu poderia perder mais tempo?
posted by Uma menina 23:09Discorde:
Dadas minhas recentes experiências com relacionamentos, creio que posso dizer que ciúme é o pior mal em uma relação.
É o que coloca tudo a perder. Aquilo que irrita o ciumento e a vítima do ciúme. E pode estragar qualquer pseudo-alicerce construído.
É incrível como algumas pessoas cometem erros por causa de ciúme e simplesmente ignoram tais erros, pra continuar a cometê-los, talvez com maior intensidade.
Mas foda-se tudo.
Pra que criar laços com qualquer pessoa, se a graça de viver é estar livre pra fazer o que quiser, quando quiser, com quem quiser, como quiser?
Foda-se tudo.
Preciso de vinho.
posted by Uma menina 21:43Discorde:
Certo, agora é só se acalmar.
Nada é realmente importante pra me tirar do sério.
Então porque diabos eu não acredito nisso?
posted by Uma menina 23:13Discorde:
Toda vez que decido que nada mais me interessa, me aborreço em perceber que não é verdade. Por mais que eu diga foda-se para tudo e todos, ainda me importo e me preocupo com coisas que não deveria. Ou deveria, mas não quero.
Não quero me preocupar com dinheiro. Não quero me preocupar com essa mudança. Não quero me preocupar com pessoas que não se preocupam comigo. Não quero me preocupar com as pessoas que se preocupam comigo. Não quero me preocupar com relacionamentos. Nem com cartões de Natal. Nem com o almoço de amanhã. Ou em acordar de manhã.
Eu queria acordar em 2010, e perceber que tudo já passou, toda essa fase chata e incômoda se foi há séculos e nada mais me preocupa. Claro que em 2010 vou me preocupar com as mesmas coisas, além de outras novas. Mas gosto de pensar que não me preocuparia.
Talvez eu nem chegue a viver até 2010. Talvez seja morta em algum assalto. Talvez algum ex-namorado psicopata me procure enquanto estiver trabalhando e atire em mim. Talvez depois de um dia enfadonho e insuportável, depois de esvaziar uma garrafa de vinho, eu sente na frente desse computador e escreva uma nota suicida. Talvez já a deixe escrita pra não atrasar meus planos...
Parece que só falo de coisas que odeio. Percebi que é porque odeio tudo o que me rodeia. Sem crises infantis de "ó, céus, eu me odeio". É só uma constatação. Sou egoísta e odeio o que me incomoda. E tudo me incomoda.
Foda-se tudo.
posted by Uma menina 23:01Discorde:
Odeio quando viajo. Na verdade, eu deveria dizer que amo. Porque a viagem em si é sempre perfeita. Sempre descubro um pedacinho novo de algum lugar, que fica guardado pra sempre na memória. Sempre tem aquele cheirinho característico de cada lugar. Seja bom ou ruim. Uma planta, um céu, uma pessoa... tudo sempre diferente, e tudo sempre igual.
E quando me vejo nesse turbilhão de acontecimentos, volto à realidade. Ou ao que seria a minha realidade. Minha casa. Minha odiada e amada casa.
Ela sabe de todas as minhas alegrias e depressões. De todos os meus segredos e ilusões. De meus medos, meus desejos, minhas dúvidas, meus livros, minhas roupas, minhas loucuras, tudo. Somente as paredes sabem de tudo e de nada. E são elas que me deprimem quando volto. Principalmente quando queria e não queria voltar.
Tenho viajado tanto por motivos banais... há tempos não vou à praia... ler um livro ouvindo somente o barulho do mar... ouvir música sozinha, beber, dormir, sentir a areia nos pés. Ficar sozinha, ou acompanhada, não importa. Há tempos não vou à praia.
Percebi, na última vez que vi o mar, que ele é meu companheiro. Ele que pode me levar aonde quer que seja, ou a lugar nenhum. Somente observá-lo ou senti-lo me faz bem. Ouvir aquele barulhinho característico faz com que tanta coisa faça sentido por um instante. Somente por um instante.
Afinal, não é como se tudo precisasse fazer sentido. Não precisa. E não faz.
Não tenho a ilusão de um dia perceber toda a verdade do mundo. Já tive essa ilusão por tanto tempo, e acabou que estava errada.
Sei somente de momentos que parecem reais. Uma manhã de inverno. Uma noite na praia. Uma lua cheia. Um capuccino. Um sebo. Ou simplesmente um momento em que eu paro e digo "agora sou plenamente feliz". Não são muitos esses momentos. E tenho certeza que não sei aproveitá-los como deveria.
Mas a vida é isso. Erros e acertos.
Quem sabe acerto no próximo momento de felicidade plena. Seja lá quando ele venha...
posted by Uma menina 02:01Discorde:
Caixas... livros... CDs... papéis... revistas... Caixas... lembranças empacotadas...
Estou me mudando...
Fazendo um balanço do tempo que passei no interior, não tenho do que me queixar. Aprendi muito com as pessoas daqui. Conquistei pseudo-intimidades que jamais conseguiria em São Paulo. São Paulo é fria e impessoal comparada a meu pequeno pedaço do interior. Mas amo São Paulo. E estou voltando.
O tempo que aqui passei foi necessário para o meu aprendizado. Aprendi a lidar com as pessoas. Aprendi que as pessoas não conseguem lidar consigo próprias. Aprendi que esse pequeno universo é tudo que muitos têm, e que nunca o deixarão. Vivi.
Ao menos relativamente.
As relações humanas acabarão sendo cortadas. É inevitável. Mas o que chamo de amigos foram importantes para esse meu aprendizado. Fizeram muita diferença. Nunca souberam dos meus pensamentos mais íntimos, isso fica claro desde o início. Mas não seria preciso me abrir para que eles mudassem a minha forma de ver o mundo.
Foi uma ótima lição o tempo que passei aqui.
E agora, me mudo.
posted by Uma menina 22:01Discorde:
Quando estou acostumada com alguma coisa, pessoa, realidade, situação, é estranho quando ouço o contrário.
Foi assim a primeira vez que conversei com um ateu, após anos aprendendo como ser uma boa beata na igreja do bairro. Ou quando comecei a aprender sobre outras culturas, outros povos, outras etnias. Hoje aconteceu com uma amiga.
Talvez isso que tenha tornado a situação mais e mais pitoresca. Com outras coisas, já me acostumei. Aprendi a conviver com pontos de vista diferentes, e aceitar alguns como meus, até criando meus próprios, não tão duradouros, elaborados, ou abrangentes, mas somente meus. Mas quando estou tão habituada com uma pessoa, me sinto tão familiarizada com seu jeito, suas expressões, sua maneira de ser, e outra pessoa, igualmente importante, mostra uma outra perspectiva...
Mesmo que eu não concorde, não vou deixar de pensar nisso. E vou começar a ver erros onde nada existe. Como Bentinho fez com Capitu. E tudo pode ser mal interpretado.
Eu poderia simplesmente dizer "foda-se. Não é o que eu acho, não é a MINHA verdade". Mas como a mente engana. Diz esquecer o que está lá no fundo, esperando um falso pretexto para aparecer com força total e destruir relações, crenças, certezas.
Falsas certezas, ao máximo. Falsas crenças. Falsas relações.
Porque, afinal, o que não é falso?
posted by Uma menina 02:01Discorde:
"You've become what you hated".
Se a Aimee Mann tivesse ao menos morrido antes de eu nascer, eu diria que sou sua reencarnação. As letras dela parecem que foram feitas especialmente para me explicar exatamente o que eu estou passando, me tornando ou sentindo.
Mas já que não posso dizer aos crentes que sou Aimee Mann, posso ao menos dizer que ela é minha alma gêmea. Não sou lésbica, não pretendo ser lésbica, não tenho vocação para lésbica. Mas já que está tão na moda, talvez seja preciso deixar meu mundo e entrar no fashion world, usar roupas cor-de-rosa e dizer coisas como "tá me tirando?". E aproveitar pra ser lésbica enquanto sou nova. Porque ninguém quer velha flácida e sozinha. Nem lésbicas velhas flácidas e sozinhas.
Cansei de querer ser profunda. Na verdade, cansei de tentar ser profunda. Profunda mesmo, só minha garganta.
O que devo fazer é viver como nasci pra viver: fútil, miserável, sozinha e com pensamentos idiotas na cabeça que vez ou outra saem no papel e formam calotas bolorentas no caderno.
Devia também sair pra conhecer gente. Não faço isso há um bom tempo. A última vez que conheci pessoas novas foi... nem posso me lembrar. As pessoas que conheço são quase tão enfadonhas e infelizes quanto eu, jogadas à sorte numa cidade pobre e ignorante, vivendo sua vidinha pseudo-burguesa, fingindo que tudo está bem, até se matarem e serem comidos pelos vermes.
São mais pessoas assim que devo conhecer. Ajudam a ver a realidade.
Ah, a futilidade interiorana comove...
posted by Uma menina 21:01Discorde:
Vazia. Essa é a palavra certa pra descrever a minha vida. A minha pessoa. As minhas aspirações.
Não sou nada. Nunca fui nada. Nunca vou ser nada. Não tenho nada que me impulsione a melhorar. Uma pessoa, ninguém.
Sou uma solitária. Só não aprendi a lidar com isso, ainda. Não aprendi a aceitar.
Seria mais fácil aceitar a realidade. Mas além de ter uma vida medíocre, uma mente medíocre, ser medíocre, ainda tenho esperança. Esperança medíocre.
Sempre penso no caminho mais fácil. Morte. Um hospício. Uma fuga.
De nada adiantaria. Morreria medíocre. Enlouqueceria mediocremente. Fugiria como uma galinha assustada.
Nada resolve. Pra que viver? Pra que morrer?
Qual o propósito de tudo isso?
Porque tanto sofrimento, tanta confusão? Porque tudo está tão escuro?
Não há luz no fim do túnel.
Nunca houve.
Odeio a esperança. Por causa dela meu sofrimento continua. Por causa dela meus pulsos ainda estão fechados. Por causa dela a vida é medíocre.
posted by Uma menina 22:43Discorde:
Como é possível estar mais cansada depois de umas férias do que antes?
O cansaço psicológico não se resolve com 30 dias de pernas pro alto. Alguma coisa precisava ser feita. E não foi.
Quem eu dizia amar, já não amo mais. Ou nunca amei. É possível que tenha sido uma ilusão causada por essa campanha mundial diminuindo os sentimentos, fazendo-nos procurar exaustivamente por alguém a quem amar. Mas é tão ruim cair nessa armadilha.
A rotina destrói tudo. O cotidiano cansativo, previsível, desprezível faz a empolgação virar tristeza. E a tristeza virar raiva. E a raiva virar indiferença. É aí que mora o verdadeiro perigo: indiferença.
É o que mata milhares, é o que corrói a alma, é o que acaba com corações.
Indiferença...
posted by Uma menina 22:31Discorde:
Letargia, melancolia, depressão, a tristeza profunda que todos vêem em meus olhos não têm motivo.
Ou têm. Como saberia? Não sei nada sobre mim mesma. Sei sobre números, sei sobre dados, sei sobre história antiga, média, moderna, o que seja. Mas não sei quem sou, o que faço ou pra onde vou.
Perdi a noção do tempo. Não sei mais o que acontece no mundo. Perdi contato com amigos, alguns se aproximaram mais. Não sei porque. Não lhes dou motivo.
Mais um bimestre se vai. A escala de tempo que utilizamos faz tudo parecer exaustivo e sufocante. E todos querem fugir do tempo. Ninguém consegue.
Eu quero conseguir. Eu vou conseguir. Mas... é só uma questão de tempo... Admitir estar presa ao tempo me mata aos poucos. Admitir que estou presa à sociedade me tortura. Admitir que não posso correr, fugir e morrer em paz me enlouquece.
Me enlouquece.
posted by Uma menina 21:34Discorde:
Como nada é justo... assim é a minha vida...
Um amontoado de injustiças, contra as quais eu não posso lutar, por não ter forças ou vontades.
E isso é só o meu mundinho burguês, com as minhas depressões burguesas e melancolias fabricadas...
E eu mal imagino como é o mundo real...
posted by Uma menina 20:01Discorde:
Viajo em dois dias... por que não me sinto feliz? Por que, como de costume, não estou pulando de felicidade por estar terminando de pintar minha tatuagem, sair desse antro bucólico por um instante, mudar de ares, conhecer novas pessoas, ver as mais bizarras criaturas e poder refletir sobre as diferentes formas de pensar?
O que acontece comigo? Por que só penso, não na viagem, mas nos dias que passarei sem me comunicar com quem não quero me envolver?
É incrível como o ser humano complica a própria vida. Seria muito mais fácil aceitar a realidade, acreditar que não há nada de errado em assumir um compromisso, especialmente com quem se quer assumir um compromisso.
Seria tão simples entender os próprios sentimentos ao ponto de poder explicá-los.
Doce ilusão...
Nos contos de fada de quando eu era criança, a mocinha não precisava explicar nada. O mocinho sabia. E isso acontece na vida real... mas na vida real a mocinha não quer admitir. Já admitiu, desadmitiu, e não vai mais admitir.
Vida confusa... vida urbana... vida humana...
posted by Uma menina 23:57Discorde:
...É como na música, que diz "it's all coming back to me, now". Eu me achava livre, me achava feliz, fútil, vazia, alienada, moved on qualquer coisa que eu já tivesse sentido. Mas isso foi antes de encontrar quem eu não queria encontrar, num momento que eu não escolhi, nas circunstâncias que não foram minhas amigas. Toda aquela nostalgia me atacou e se fincou em mim pelo resto da noite.
Nostalgia.... meu sentimento preferido, meu sentimento mais odiado... odeio e adoro meus dias nostálgicos... eles parecem mágica, me fazem voltar em épocas felizes, épocas que me parecem lindas hoje, mas que na época, odiei. O tempo nos faz cegos pela saudade. Queremos voltar a tempos em que as preocupações eram ínfimas, e os desastres maiores eram não encontrar alguém em casa. Bons tempos. Maus tempos. Tempos felizes....
Hoje lembrei do verão... o último verão... meses que passei noites em claro conversando com um amigo, aquele sentimento bom de estar com quem se gosta, a maresia, aquela brisa suave que traz lembranças... tão boas lembranças... senti essa brisa hoje... gostaria de senti-la sempre... mas é impossível...
São esses momentos raros de melancolia e depressão que definem a pessoa... que definem qual serão seus próximos passos...
Os meus foram até a garrafa de vinho mais próxima...
posted by Uma menina 00:57Discorde:
Como é horrível ver um amigo precisando de você, mas não poder fazer nada.
Como é horrível saber que alguém precisa ser ouvido, mas não fala nada.
"Vou sair pra beber, agora" é a pior coisa que o amigo poderia fazer... mas ele faz...e não quer falar sobre o que aflige sua mente... Ah, como nessas horas eu gostaria de ler mentes! Poderia ajudá-lo mais rápido, ou ao menos reconfortá-lo.
Grande amigo, perdoa essa má pessoa que sou.
posted by Uma menina 23:28Discorde:
Mais um dia (comercial) dos namorados está chegando...
E mais uma vez eu passo sozinha...
Mas afinal, o que importa?
posted by Uma menina 19:14Discorde:
Músicos ótimos/deprimentes:
- Aimee Mann
- Dirty Three
- Belle and Sebastian
- U2
- Billie Holiday
- Bright Eyes
- Cazuza
- Diana Krall
- ColdPlay
- Vinícius de Moraes e Toquinho
- Radiohead
- Fiona Apple
- Eva Cassidy
- Etta James
- Low
- Sarah McLachlan
- Grandaddy
- Mario Frangoulis
- Enya
- Lorenna Mckennit
- Pancho's Lament
- Norah jones
- Simon and Garfunkel
- The Smiths
- Van Morrison
Momentos perfeitos para ouvir algumas de suas músicas:
- Viajando
- Vendo o sol se pôr
- Vendo o sol nascer
- Olhando fotos antigas
- Descobrindo novas fotos
- Conversando com a pessoa amada
- Com um copo de vinho
- Olhando a lua
- Escrevendo
- Em plena TPM
- Ao acaso
- De propósito
- No frio
- Na companhia de amigos
- Sozinha
- Num momento melancólico
- Sempre
posted by Uma menina 01:19Discorde:
Estou realmente tentando acreditar que, assim que possível, vou com minhas amigas pra Cuba, passando por Itapoã, Argentina, Chile, e vários países, numa inda e vinda sem pressa, porque é disso que é feita a vida, dos momentos bem aproveitados, sem se preocupar com aquele futuro manjado que imaginaram pra você, vivendo do seu jeito, com suas regras, seus erros.
Se todo mundo fizesse isso, ninguém teria úlcera, depressão não seria a doença do século e com certeza o Bush já ia ter catado alguma e deixado o Iraque em paz.
Mas, enfim... destino final: Cuba.
O problema é que todos estão procurando por uma vida estável, e te fazendo engolir essa vida, a qual você não escolheu.
Eu não quero uma vida estável. Quero beber tequila e fumar charutos com um cubano chamado Paco que vai me arranjar uma carona pra China, da onde eu saio e vou parar em Paris, trabalhando de garçonete e um parisiense chamado Laurent como amante.
Quero viajar de carro pelas Américas, aprender como trocar pneus com uma mecânica de nome Marina, enquanto ela conta seu drama com sua namorada Valéria e fuma um Free.
Eu não quero uma vida estável!
Quero conhecer um novo Vinícius de Moraes, uma outra versão de Toquinho, ter romances com poetas e boêmios, escrever um livro sobre a liberdade e morrer tísica aos 35 anos, na casa de uma velha espanhola em Viena, feliz e satisfeita com meus feitos e desfeitos.
Eu não quero uma vida estável!
posted by Uma menina 21:46Discorde:
Ah, os altos e baixos de uma pseudo-relação podem levar-me à loucura... Não exatamente à loucura que já estou habituada, mas à insanidade de palavras mal ditas, poderosas armas contra o próximo.
Palavras, palavras... deveriam ser-me aliadas, mas só trazem-me problemas... mas fazem-se necessárias, logo em seguida, pra consertar o próprio erro.
Porque não nos entendemos? Ouvimos o português desde que nascemos, e quando temos de usar de todo nosso conhecimento sobre nossa língua mãe, paramos, e escolhemos justamente as palavras destrutivas, as que te matam e matam a quem ouve, da maneira mais dolorosa possível. E quando percebo, já é tarde.
Tudo já foi dito. E por mais que você tente voltar atrás, nunca será esquecido.
Mas, afinal... é noite... e a noite é uma criança... ou, como dizem às más línguas, a noite faz criança...
Piadinhas, piadinhas, que nos fazem esquecer por tão longos segundos de nossa miséria...
Ao menos consigo sorrir em meio à neblina...
posted by Uma menina 21:08Discorde:
Os momentos de felicidade podem ser raros, mas tem que ser aproveitados ao máximo.
Um pôr-do-sol num dia frio. Vinho com as amigas. Música melancólica e o tilintar do gelo no copo. A companhia de alguém que você adora. Ou a companhia virtual dessa pessoa, quando ela não pode estar com você.
Quando não é possível, tudo fica mais bonito. Não me é possível voar. Não me é possível viajar à vontade. Não me é possível declarar ao mundo minhas idéias absurdas.
Estou perdendo mais e mais a capacidade de escrever.
posted by Uma menina 22:49Discorde:
Não poderia estar mais deprimida. Meus olhos fecham-se sozinhos, numa tentativa desesperada de me fazer cair e dormir eternamente. Quisera eu obedecer meus olhos. Mas, certa hora, eles desobedeceriam a si próprios e eu me levantaria para mais um dia de depressão e solidão, no que eu chamo reclusão social, e que meus pais chamam de desorientação e problemas mentais.
Como seria fácil parar de existir. Parar de ser. Voltar ao nada. Porque não é possível? Porque não me facilitam a inevitável morte, porque me fazem sofrer, chorar, cair e ficar caída pra sempre? Eu não quero isso pra mim. Eu não quero isso pra ninguém. Ah, como seria tudo mais fácil se eu tivesse tomado caminhos totalmente contrários, desde o início.
Agora é tarde. Agora, é só esperar a morte. E torcer para que, nesse meio termo, o mundo não desabe sobre minha cabeça perturbada e melancólica.
Não quero mais isso pra mim. Eu quero um grande amor. Uma grande aventura. Uma grande descoberta.
Mas, ao sair na rua, só vejo as pessoas fúteis e vulgares, desfilando seus corpos como num mercado de almas onde o comprador é o demônio da nossa cultura.
E me resta o vinho e o champagne borbulhando no estômago.
posted by Uma menina 01:57Discorde:
I've got troubles enough...
Sábia frase de Aimee Mann... Suas músicas, aliás, estão sendo minhas companheiras nos últimos dias... têm entendido o que sinto e o que nem eu mesma entendo... Como queria saber escrever...
Mas, só me resta meus pensamentos jogados na areia e amaciados pelo mar... E quando saem pela minha boca ou minhas mãos, perdem toda a intensidade que tinham quando eu os formei... O que seria de Goethe, se acontecesse o mesmo? Ou de Milan Kundera, na sua louca teoria da Insustentável Leveza do Ser?
Não posso, é claro, me comparar a eles... mas são autores que admiro, e tento, todos os dias, imaginar o que seria de mim se pudesse ser metade do que foram.
Sou o nada, o tudo, o universo, o grão de areia, a intensidade e a futilidade. Sou a mãe e a filha, a avó e a neta, o sobrinho, o tio, o bisavô, o escravo, o diabo, o deus, a deusa, a pedra, a ilha, eu sou o nada. Sou tão nada que nada importo, que nada significo, que nada fiz em minha vida que valesse a pena ser escrito.
E nem o que eu invento pode ser levado em consideração, minha ficção baseia-se na minha ânsia, nos meus desejos, nas minhas secretas aspirações... pra nada servem, pobres anotações.
Odeio quando me perguntam : "o que tanto você escreve?". Tenho vontade de mandá-los à merda, ao inferno, à puta que pariu, ao raio que o parta, mas não... apenas, como bem ensinada que fui, com muita educação... "coisas". Sorte minha quando não me perguntam "que coisas". Mas esqueço-me de que não tenho sorte. "Apenas coisas". Passo por mal-educada... pobre da minha mãe, que tão bem tentou me ensinar. Eu é que não quis aprender. Eu é que questionei o porquê daquilo tudo, pra quê toda a educação e protocolo quando não gosto das pessoas.
A vantagem de ser reclusa...
posted by Uma menina 16:42Discorde:
Fiz a tatuagem... do jeitinho que eu queria...
Meu pai realmente não gostou... não importa o quão bem escondida ela esteja, o quão bem feita esteja, o quanto eu me sinto feliz em tê-la feito... ele simplesmente não gostou...
Acho até que minha avó gostou mais... mesmo não gostando de tatuagens...
É muito estranho me imaginar tatuada... não doeu, então não fica na memória o trauma... E eu não a vejo de qualquer jeito, preciso fazer malabarismo na frente do espelho pra olhar minhas costas... então meu arranjo de flores fica fora da minha área de visão... e o que os olhos não vêem o coração não sente...
Fazem 4 dias que estou marcada pra sempre, e parece que nada mudou...
Nada muda... nunca... por mais diferente que eu tente ficar, por mais coisas idiotas e impensadas eu faça... nada muda... é sempre a mesma casa, a mesma pessoa, as mesmas ações... um cotidiano fatídico que mata aos poucos a alma humana começou a matar-me mais cedo... eu morro pelo que não vivi e pelo que quero viver, e quando acontece, eu simplesmente acho que não é o que eu queria...
Fiz a tatuagem, e parece que não fiz...
Falei o que queria e parece que não falei...
Um ato impensado, e parece que foi sonho...
O que muda, parece sonho, e fica distante na memória... só permanece a fantasia... a ilusão...
Ah, ilusão, tão bela, tão traidora...
Talvez um dia aprendamos a tirar proveito dessa víbora necessária em nós...
posted by Uma menina 22:30Discorde:
Odeio e adoro viajar.
Adoro, pelo simples motivo de ver as paisagens mudando, enquanto ouço Dirty Three, Rachel's, ou mesmo Pearl Jam, ou Frank Sinatra. O ato de viajar é tão maravilhoso que após uma longa e cansativa viagem, me sinto melhor... cansada, mas feliz...
Porém odeio ficar tempos sem meu computador, sem meu arquivo pessoal de músicas, sem meus livros, sem meus amigos, sem poder falar com ... com quem sabe quem é, depois de uma noite de declarações e brigas...
Temo que as discussões foram mais fortes que a declaração mútua...
Eu tenho um problema, um problema que carrego em mim desde que me entendo, desde que me questiono, desde que vivo... eu não sei lidar com os sentimentos... nem os meus, nem os alheios...
Pela primeira vez na vida, soube dizer a alguém como é ótimo estar a seu lado, e como gosto dele... e quando ele retribui, eu digo que é um erro, que nada daquilo é real... eu tento convencê-lo de não sentir o que eu quero que sinta...
Talvez por temer o envolvimento, temer um relacionamento que pode - ou não- mudar a minha vida, em uma ou várias maneiras... querendo ou não, seria uma mudança...
Eu não seria mais a solitária acostumada com as traças de livros, mas sim estaria vivendo o drama de tantas outras mulheres hoje em dia... não quero esse drama pra mim... quero e não quero...
São sentimentos caóticos dentro de mim, sentimentos que me afligem e me fazem pensar em escrever um novo livro a cada instante...
Agradecimentos à parte para os diários que me mantém sã, depois de um desabafo... meus terapeutas gratuitos, que calam, mas me fazem reler os escritos e entender melhor... Todos deveriam manter um diário de seus pensamentos...
Mas, enfim... viajo!
E vou tentar, ao máximo, distrair-me com pessoas que gosto, e que foram o motivo das minhas 7 horas na estrada...
Vou, definitivamente, fazer a tatuagem.. não importa o que dizem meus pais, já estou certa do que quero...
Agora é a hora, essa é a motivação, esses são os dias de nossa vida.
posted by Uma menina 22:45Discorde:
E, finalmente, eu disse... falei tudo o que sentia, ou pelo menos, o essencial... o que ele precisava saber...
Não saberia dizer quais foram os resultados... eu tremia, ele tentava me acalmar, eu não quis admitir que estava nervosa e acabamos discutindo... ah, as conflituosas relaçõe humanas...
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Mas, ao menos, não é mais segredo... não pra ele.... para todas as pessoas em volta, espero que ainda não seja certeza... meu pior pesadelo é que meus sentimentos fiquem expostos a quem não interessa...
A vantagem, talvez, de ser reclusa...
Não me lembro de ontem... adrenalina pode ser mais fatal do que o álcool, em momentos como aquele...
Os grandes cientistas nem desconfiam...
posted by Uma menina 20:14Discorde:
E ele que não aparece?
Como vou poder falar todos os meus sentimentos sem o efeito do álcool? Não dá, é simplesmente impossível...
Talvez eu ligue...não, quem sou eu pra ligar pra ele? Uma ninguém, apenas mais um nome na lista de conhecidos...
Porque dizem que ele sente o mesmo, se eu sei que não sente? Impossível... ninguém sentiria nada por mim...
Ah, preciso de vinho!
posted by Uma menina 19:42Discorde:
Como dizer a alguém o que sinto?
Como dizer as simples palavras "eu gosto de você", sem engasgar, e sem mudar no meio do caminho para "eu gosto de morangos"?
Como dizer à minha mãe que não quero ir a São Paulo ver meu pai, e sim ficar na minha casa, no meu computador, com meus livros, minhas músicas, meus amigos?
Ah, palavras, palavras... tão fáceis de sair quando não são necessárias, por que morrem quando preciso de sua ajuda? Por que não posso procurar auxílio em grandes autores, para me comunicar? Pra quê falar, quando é tão mais fácil escrever! Emudeçam-me, para que eu só possa escrever! Assim serei plenamente feliz.
Talvez um bilhete, uma anotação, uma carta, um e-mail, uma mensagem no ICQ. Mas a vida não é isso. A vida requer o contato social. Maldito contato social, a que me obrigas? A passar-me por tola, por louca, por incoerente.
Ah, escrever, escrever é tão fácil... quem dera fosse fácil para o brasileiro ler, como me é difícil dizer.
Não levariam-me a sério lendo essas linhas turbulentas. Mas aqui fica o desabafo, as palavras como saem de minha mente, frases impensadas, e sim, vomitadas.
Gosto, porém, da escrita. Recebo minha parcela de elogios quando quero algo bem feito, e sou repreendida quando canso-me do papel e vomito letras, como aqui.
Algum dia, talvez, esse blog não seja mais um desabafo, e sim, uma bela coletânea de textos bem escritos.
Talvez... um dia...
posted by Uma menina 22:06Discorde:
O relacionamento humano... nada mais interessante a se estudar...
Há pessoas que mudam perto de alguém, para chamar a atenção, para parecer melhor, para parecer mais importante. Há pessoas que diminuem ao ponto de quererem desaparecer de vergonha ou medo.
Meu caso.... meu caso é um a ser analisado. Posso ser expansiva quando quero desaparecer e desaparecer quando quero que alguém me note. E posso afastar as pessoas que quero bem, que quero que saibam que as estimo e as quero por perto.
Sou uma solitária. Vivo escondida no meu quarto, na minha casa, na minha mente; expulso as pessoas da minha vida, fujo do contato social, me escondo de romances. Romances... busco o relacionamento utópico, e esqueço-me da vida real, onde todos têm falhas, incluindo eu mesma, a mais imperfeita criatura da espécie humana. Quando alguém interessa-se por mim, tenho medo de me aproximar, fujo, então, sem mostrar, sem explicar, sem falar sobre meus sentimentos.
Sou uma pedra, sou uma ilha, como dizia a música. Posso tentar mudar, mas nada muda... e repetimos os mesmos erros de nossos pais.
Mas a vida continua seu curso. As pessoas vivendo, eu me escondendo debaixo de meus livros, abafada por minhas músicas. Vivo no meu mundinho perfeito com as imperfeições. Eu não sou, eu existo, apenas. Num mundo de sapatos, eu sou um chapéu. E um chapéu velho e fora de moda, que não atrai a ninguém, e não quer mais ser atraído, seu tempo já se foi. A diferença é que o meu nunca chegou.
Mas, fazer o que? As condições de existência são tantas... ou tão poucas...
posted by Uma menina 23:32Discorde:
Depois de duas horas tentando dar um jeito no template, eu desisto.
A esperança é a última que morre, e o funeral da minha começa pela manhã.
Não apenas a esperança morre para o template, mas para a vida, para os amores, para os estudos, para a sociedade. A esperança, jovem inocente que acredita em tudo e todos, agora morre, tísica, em sua cama, assistida de perto pelo mundo, que chora. O mundo dorme e chora. O mundo acorda e chora.
O mundo chora pelos olhos dos que vêm ao mundo, e vê-se renascer a esperança no rosto cortado pelo tempo dos idosos.
Bem-vindos à selvagem civilização. Cuide de seu bolso, ou ficará sem carteira e sem vida.
Sentirão mais falta da carteira.
Ame, viva, experimente cada momento. Afinal, sempre será o último.
Se não amar, se não viver, se não experimentar a cada instante uma nova sensação, não se preocupe. Morrerá esquecido como o outro que seguiu o conselho otimista. E só os vermes serão felizes.
Perdoe o pessimismo. A confirmação da célebre frase "só as mulheres sangram" tira-me o bom humor.
O melhor a fazer é comprar um absorvente ultra-fino e ir dormir.
Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar.
Pena que não presenciarei esse dia, e sim um domingo cinzento e melancólico, responsável pela minha nostalgia.
posted by Uma menina 02:14Discorde:
Testando a vida, testando a morte, testando o blog.
posted by Uma menina 01:31Discorde: