Contra-senso


Quarta-feira, Outubro 29, 2003

 
Posso morrer, agora?
posted by Uma menina 22:33
Discorde:


Domingo, Outubro 26, 2003

 
Cansei.
Cansei tanto, e de tal forma, que não consigo exprimir em palavras. E também não quero. Só quero dizer que cansei.
Cansei... de tudo. Da rua, da casa, dos móveis, das pessoas, do céu, da terra, da música, do silêncio, do sono, do sonho, do desespero, da tranqüilidade, da fantasia, da realidade, do amor, do ódio, da indiferença, das obrigações, da falta delas, da preguiça, do trabalho, de livros, revistas, filmes, conversas, histórias, poemas, da vida, da morte, do sucesso, do fracasso, das coisas a minha frente, das coisas atrás de mim, ao meu lado, dos namoros, da solidão, da felicidade, da tristeza, do calor, do frio, do vento, do sol, das nuvens, da chuva, dos animais, das minhas pernas, dos meus braços, das palavras, dos pensamentos, dos amigos, dos inimigos, dos desconhecidos, das viagens, da ida e da volta, da água, do fogo, das dores, das imensas dores. Cansei. De tudo. E mais do que tudo isso, cansei de mim mesma. Cansei do que eu era. Cansei do que me tornei. Cansei do que achei que me tornara. Cansei de insistir em ter esperança. Cansei de fingir que sou corajosa. Cansei de me mostrar alegre. Cansei de me mostrar tristonha. Cansei de viver. Cansei de não viver. Simplesmente cansei.
Não espero entendimento. Não espero nada. Estou sendo empurrada, apenas. Empurrada a dormir, a acordar, a comer, a me mexer. Porque, por mim, não faria nada. Absolutamente nada.

Cansei.
posted by Uma menina 20:59
Discorde:


Quinta-feira, Outubro 23, 2003

 
DisorderRating
Paranoid:Moderate
Schizoid:High
Schizotypal:High
Antisocial:Low
Borderline:Moderate
Histrionic:Low
Narcissistic:Moderate
Avoidant:High
Dependent:Very High
Obsessive-Compulsive:Moderate

-- Personality Disorder Test - Take It! --



posted by Uma menina 19:54
Discorde:


Sábado, Outubro 18, 2003

 
Eu não entendo... não entendo esse sentimento...
Essa coisa que toma conta de mim, essa tristeza da meia-noite, uma coisa sem nome, sem forma, que é preciso sentir pra que eu me lembre quão mal me sinto quando ela chega.
Uma solidão, um bloqueio, e o universo é diminuído para o que eu encontro na minha frente. Não existe nada além da parede que vejo. Não existe nada à esquerda. Não existe nada à direita. O que eu não enxergo não existe. Não me lembro de nunca terem existido.
Não consigo ser, não consigo existir, não consigo nada. Só estou aqui. Ocupando um lugar inútil no espaço. Sem propósito. Sem futuro. Sem passado. Sem presente.
O que acontece? Eu consigo passar bem o dia. Faço piadas. Dou risadas. Forçadas, muitas vezes, mas são risadas. Abraços, beijos, palavras doces, comentários sobre o tempo. E quando percebo, é noite. Gosto da noite. A noite faz bem.
Mas à meia-noite, alguma coisa acontece. E o Vazio toma conta de mim. Como a Náusea do livro de Sartre. Tudo fica estranhamente inútil. Mais do que o normal. Mais do que podia. Mais do que eu queria.
E eu me percebo tão vazia, tão inútil, tão...nada. Não consigo imaginar o tudo. Não consigo imaginar o nada. Não odeio, não amo, não rio, não choro, não ando, não caio, não durmo, não desperto, há somente o nada.
Penso em fazer alguma coisa. Ler um livro ao relento. Levantar pra beber água. Ligar para um amigo distante. Escrever uma carta. Nada disso vai se fazer verdade. Nem agora, nem amanhã. Vou simplesmente desligar o computador, encarar o escuro por alguns minutos, me levantar, trombar em portas até chegar à cama em que vou me deitar, imóvel, como caí, de olhos abertos, tentando enxergar alguma resposta na escuridão solitária do nada. E só acho nada. Porque só existe o nada.
Sinto uma certa tristeza. Poderia dizer, tão profunda, que não consigo chorar. Essa tristeza vem quando, do nada, começo a pensar no tudo. Em coisas que não existem. A não ser na minha imaginação. É uma coisa estranha, não sei se consigo explicar.
Sei que estou escrevendo uma coisa um tanto enfadonha e comprida, comprida o suficiente pra fazer qualquer pessoa parar de ler na metade. Não sei se quero parar de escrever por causa disso.
Não sinto vontade de fazer o que normalmente faria. E não sinto vontade de fazer nada novo. Estar aqui e não estar parecem ser a mesma coisa. O mundo ficaria indiferente ao meu desaparecimento. Assim como eu ficaria indiferente ao desaparecimento do mundo.
Penso em estrelas, e galáxias, e planetas, e coisas que meu pai costumava me dizer quando eu era criança. E entendo porque ele dizia pra eu não pensar demais nisso, ou enlouqueceria.
Não sei como terminar esse post. Não sei se devo postá-lo ou apagá-lo. Não sei se devo continuar conversas fúteis e sem qualquer fundamento. Não sei se devo viver. Não consigo enxergar nada, nada, nada, que faça qualquer coisa ter sentido.
Coloco uma música pra tocar. "Forgiveness". Não saberia descrever a sensação que tenho ao ouvi-la. Talvez deveria recomendá-la.
Não a ouça. Talvez seja ela a culpada por essa minha sensação de incapacidade.
posted by Uma menina 02:04
Discorde:


Sexta-feira, Outubro 17, 2003

 
Dirigir é um desses pequenos prazeres que eu sempre adorei. Nunca me neguei a pegar o carro, mesmo que só para uma voltinha.
Mas... hoje foi tão bom alguém dirigir e eu ficar no banco do passageiro, um pé no console do carro, o outro num chão instável, o vidro do carro aberto, os cabelos embaraçando no vento, a noite chamando, as estrelas, normalmente escondidas da cidade, mostrando como fazem bem ao céu na estrada. Foi tão calmante... uma calma inexplicável ia tomando conta de mim enquanto o vento cortava meu rosto e secava meus olhos, que se recusavam a piscar com freqüência, com medo de perder alguma coisa.
Não vi a lua. Normalmente a lua que me conforta. Hoje as estrelas desempenharam o papel tão bem que só me lembrei da lua quando tudo ficou escuro e eu ouvi as palavras "não posso deixar os faróis desligados, senão bato o carro". Acho que a maioria das pessoas não gosta desse meu hábito de querer tudo escuro.

Fiquei, então, olhando o céu.
Me lembrei de um quadro na casa da minha avó. E como eu costumava olhá-lo quando era pequena. E comecei a lembrar de coisas da minha infância, nas férias na casa da minha avó. De meus momentos solitários. De fotos de parentes mortos. De horas que eu ficava observando o quadro, uma praia deserta à noite, e um céu numa tonalidade irreconhecível. Não conseguia encontrar em minha memória céu igual. Até hoje.
Gostei da sensação. Gostei de me lembrar de minha avó e da voz infantil de minha tia. E da minha imagem olhando o quadro.

Fiquei pensando se podia ser noite pra sempre. Percebi que se não houvesse o dia, e ainda assim houvesse vida, não apreciaria tanto a noite. Seu frescor. Suas sombras. Sua música.
Amo a noite porque conheço o dia.
E à noite tudo (ou quase tudo) de que fujo, dorme. E eu posso ser eu mesma. E voltar à infância. E não preciso fingir que me preocupo com nada. Posso cantar baixinho. Posso cantar alto. Posso fechar os olhos e sentir o vento.
Posso viver.
posted by Uma menina 23:45
Discorde:


Domingo, Outubro 12, 2003

 
This are the blues

Domingo... Meia-noite e quarenta... e eu em casa... ouvindo músicas deprimentes, me afogando em uma pseudo-tristeza muito da burguesa.
Um copo vazio... uma lixa de unha que se fez útil quando uma delas quebrou... Uma mensagem...
Uma mensagem que não deveria me causar efeito nenhum... mas causa...
Me faz pensar se viajo ou não essa semana. Me faz pensar se devo ou não dormir. Ou sonhar.
Mas é tudo tão...ínfimo.
Tudo a minha volta... e nada faz sentido... Se algum dia houve sentido, se perdeu na penumbra.
Quero tanto descobrir alguma coisa que me motive. Mas não acho. Nada me motiva. Nem a música. Nem a palavra escrita. Nem filmes. Nem nada.
O que fazia sentido morreu. Sumiu. E sobrou uma carcaça podre e patética que eu costumo chamar de corpo.
Estagnei.
Só quero olhar pro copo vazio. Nem enchê-lo tenho vontade. Quero apenas fitá-lo sem vê-lo e ver se descubro alguma coisa. Alguma coisa pessoal. O que falta.
Tudo falta onde nada falta.
Começo a ter sono tão cedo, agora. Já me sinto sonolenta. Devo dormir? Ou devo permanecer acordada até meu corpo morrer na exaustão?
Nada me motiva. Nem a vida, nem a morte.
Perdi tudo. Simplesmente isso. Perdi.
posted by Uma menina 02:57
Discorde:


Sexta-feira, Outubro 10, 2003

 
Nada. Só um branco.
posted by Uma menina 20:49
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Quinta-feira, Outubro 09, 2003

 
"Sabe qual é o meu sonho?"
Às vezes falamos isso quando alguma coisa, qualquer coisa, nos está incomodando num certo momento. No calor, o sonho é esquiar. Num dia melancólico de chuva e vento, o sonho é alguém ao lado. Quando estou cercada de pessoas, o sonho é estar sozinha. Quando estou sozinha, me pergunto porque não estou com alguém.
Mas hoje, logo cedo, estou sentada, ouvindo 40 pessoas falarem simultaneamente sobre assuntos diversos. E não consigo prestar atenção em nenhum desses assuntos. Nem mesmo nas pessoas que se dirigiam a mim. De repente, uma colega vira-se para mim e faz um comentário sobre o "sonho" dela. E quando seria minha vez de dizer "sabe qual é o meu sonho?"... eu não consigo pensar em nada. "...não tenho nenhum sonho agora. Acho que quero ficar parada aqui pra sempre".
Acho que quero ficar parada pra sempre. Acho que quero ficar andando pra sempre. Acho que quero fazer o que estiver fazendo, em qualquer circunstância, pra sempre. Talvez por saber que nada dura pra sempre. Talvez por imaginar que eu consiga, finalmente, dormir pra sempre.
Mas quando você toma a decisão de se colocar para dormir, e não é bem-sucedida, as pessoas passam a te olhar como a um bicho. Um bicho de circo maltratado e subnutrido que comeu vinte pessoas em uma apresentação no interior da Bahia e agora vai ser morto para não causar mais problemas. A diferença é que, como ser humano, você é obrigado a viver quando quer morrer.

Faço o seguinte, então. A vida não me deu escolha quando vim ao mundo. Mas vou dar mais uma chance à vida. A antiga Tatiana Pavlovna Miaggenco morreu naquele domingo sombrio. Mesmo seu corpo não tendo conseguido o mesmo que sua alma, ela morreu. E agora uma pessoa, ainda sem identidade, ainda sem sonhos, ainda sem passado, nem presente, nem futuro, tomou seu corpo, com uma dessas coisas que as pessoas gostam de chamar de esperança.
Não sei porque estou fazendo isso. Realmente não sei.
Só espero que funcione. Boa sorte, nova alma. Aproveite o corpo que a outra lhe deu.
posted by Uma menina 21:31
Discorde:


Domingo, Outubro 05, 2003

 
Remember when we were young?

Com a ressaca, vem a nostalgia. E, analisando toda a minha vida, começo a perceber que deveria ter parado de envelhecer aos cinco anos. Cinco anos.... idade perfeita... idade inocente e despreocupada... idade em que é possível ficar de topless sem chamar tanta atenção como acontece agora... idade em que meninos e meninas são, antes de tudos, caçadores de minhocas... idade em que a preocupação maior é quantos ovos de páscoa vão ser deixados pelo coelhinho esse ano...
É, definitivamente, a melhor idade.

Por que eu cresci?
posted by Uma menina 18:11
Discorde:

 
"Conhaque! És um belo companheiro de viagem. És silencioso como um vigário em caminho, mas no silêncio que inspiras, como nas noites de luar, ergue-se às vezes um canto misterioso que enleva! Conhaque! Não te ama quem não te entende." Álvares de Azevedo, Macário

Bem vindo de volta, conhaque.
posted by Uma menina 01:39
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Sexta-feira, Outubro 03, 2003

 
Não sei o que acontece. Quando acho uma coisa, é sempre outra.
Tenho febre, mas o termômetro não marca. Febre da mente.
Meus dedos pedem cordas. Mas as cordas estão lá. Eles que não percebem.
Minha mão quer caneta, que quer papel. Está tudo no lugar. Mas não está.
Falta alguma coisa. O que faz as coisas funcionarem.

"Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
"
Álvaro de Campos
posted by Uma menina 20:09
Discorde:


Quinta-feira, Outubro 02, 2003

 
Por que minha cabeça dói tanto?
Não importa.
Só sei que a bebida aproxima as pessoas. Ou a simples menção dela.
Um fato hoje me fez perceber como tudo gira em torno do alcoolismo. Tudo. No exceptions.
Conversando com uma amiga sobre absintos e licores de menta, um homem com o qual convivo há... quatro semanas, e com quem nunca tive muito assunto, fez um comentário. Um comentário concordando com minha opinião sobre o licor de menta.
Daí pra frente, parecíamos velhas senhoras fofocando sobre a vida alheia e pedindo receitas de bolinhos de bacalhau. Com a diferença que as receitas eram de bebidas caseiras e imitações de amarula e licores diversos. Mas éramos como velhos amigos. Ou quase isso.

A bebida rege a vida social. Incrível como passei anos ouvindo o contrário de meus pais.
A bebida rege a vida em geral.

O fim de semana promete. Promete mais uma semana de tentativas de esquecimentos.
posted by Uma menina 21:06
Discorde:


Quarta-feira, Outubro 01, 2003

 
Voltei a ouvir músicas que não ouvia há meses.
Voltei a ouvi-las, porque de uns tempos pra cá, só as escutava. Só escutava o barulho conhecido como melodia, e só escutava o que chamamos de letras. Voltei a ouvir a música. E a sentir a letra.
Voltei a ouvir músicas sem letras. "Instrumental", diriam. Música sem letra. A música fala por si só. Você a entende como quiser.
Voltei a emagrecer. Tinha parado por uns tempos, mas de domingo pra cá, percebi que foram-se 2,3kg. Talvez fosse bom voltar a comer.
Voltei a sonhar. Não como antes. Antes era melhor. Antes era profundo. Antes eu tinha algo pelo que lutar. Antes eu tinha ideologias, e crenças. Agora sonho com o tempo que não volta mais. E o tempo que não vai vir.
Voltei a beber. Coca Light. Nem mais um vinho. Nem mais um conhaque.
Voltei a dormir. Muito. Exageradamente. Letargia, seria?
Voltei a fazer minhas unhas. E lembrei como é difícil colocar o esmalte escuro perfeitamente nelas.
Voltei...
E afinal de contas... não voltei nada... o mundo só vai pra frente... nada volta... o que eu pensava antes me faz falta hoje. Mas não volta.
O tema da volta é repetido. Mas não é volta ao tema. Porque tudo muda. Há um minuto não era o que sou agora.

Adeus, tempo.
posted by Uma menina 21:03
Discorde:


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