Contra-senso


Domingo, Fevereiro 29, 2004

 
Era um mundo diferente. Um mundo mágico, encantado. Uma coisa que as palavras não conseguem explicar, uma sensação só minha, e de mais ninguém. Olhando pela janela, o céu de tantas cores, todas passando uma calma intensa, uma certeza de que tudo acontece por uma razão, e que tudo está onde deveria. Poderia sair voando, e tocar aqueles tons alaranjados, aqueles tons azulados, aquele branco das nuvens. Podia sentir o vento em meu rosto, o cheiro da grama verde, maravilhoso. Podia tocar as torres ao longe. É só uma questão de perspectiva. Estão todas ao meu alcance. Podia pegar as luzes ao longe, uma a uma, como gotas de chocolate num bolo caseiro. Podia manejar os carros, para que eles fossem aonde eu quisesse. As pessoas, todas da minha imaginação, andando, e fazendo parecer aquela cena tão real. O céu vai escurecendo, e mais gotas de luz aparecem. Ainda posso pegar todas. Posso colocá-las no céu e chamá-las de estrelas. Posso sentir a chuva chegando. Sinto as pessoas se escondendo, porque não preciso mais delas pra realidade. E a lua me chama, mais uma noite, pra namorá-la. Uma lua branca, uma lua cinza, uma lua laranja. A lua que eu quiser. E os pássaros dançam em torno dela, como num baile, e eu observo tudo, maravilhada, da minha janela. Porque se eu quiser, posso alcançar tudo.
posted by Uma menina 18:57
Discorde:


Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004

 
Um frio... uma música triste... a chuva... e uma solidão, velha conhecida minha...
É quarta-feira de cinzas.

Nunca soube exatamente o significado dela. Sei que antes as pessoas tinham muito mais respeito pela quaresma do que hoje. Mas afinal, não existe mais religião. Crenças foram trocadas por mulheres semi-nuas na televisão. Quaresma não passa de uma ressaca prolongada.
E eu continuo não entendo o porquê de tudo isso.

Quem sabe um dia, num lugar distante, não mais sozinha... quem sabe tudo um dia faça sentido...
posted by Uma menina 14:25
Discorde:


Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

 
E enfim, chega o Carnaval. Tão falada e esperada festa já tida como tipicamente brasileira há muito tempo. Muito samba, muita alegria, muita bebida, muito sexo. Muito acidente, muita briga, muito adultério, muita morte.
Ah, é Carnaval. Perfeita alienação social. Todos bebem, todos brincam, todos esquecem da miséria de nossas vidas. Belo Carnaval.
É tempo de viajar, curtir, não pensar em nada. O resto que se resolva. Mas afinal, o ano todo é Carnaval.
Como quase todos os anos, vou passar sem sequer sair na rua. Vou ler, vou estudar, vou ouvir muita música que não me lembre Carnaval. Porque, afinal, o ano todo é Carnaval. E pelo menos nesse feriado vou tentar esquecê-lo.
É... Carnaval...
Porra.
posted by Uma menina 21:55
Discorde:


Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004

 
Certos momentos como esse é que me fazem ver como sou solitária e vazia. Não existe nada que eu poderia fazer agora que me faria sentir bem, ou simplesmente, tirar essa sensação nostálgica de tristeza.
Faz com que eu me lembre de outros tempos em que eu gostava de política, e chorava as dores do mundo, e amava ir à praia meditar ou ouvir Dirty Three. Mas agora, nada disso acontece.
Estou num apartamento. Novamente. Um apartamento impessoal e igual a tantos outros nesse mesmo prédio. E o que o difere dos outros é a sua capacidade de abrigar um peso-morto dentro dele.
Porque é exatamente o que eu sou.
Não brinco mais de política. Não me importo com os outros. Não amo mais a praia há tempos. Perdi, e isso quer dizer que perdi totalmente, o gosto pela vida.
Isso não é permanente, eu sei. Nada o é. Mas... o vazio...

Só há o vazio...
posted by Uma menina 22:25
Discorde:


Domingo, Fevereiro 08, 2004

 
Não sei porque fiz esse blog. Ele não é pop, ele não tem características comuns a um blog, ele não é ultra divulgado. Nem sei se poderia chamá-lo de blog. Era meio que uma tentativa de fugir um pouco do cotidiano, uma vez ou outra. Nunca tive realmente muito tempo pra ele.
E agora, parece que vou ter menos tempo ainda pra mim mesma. Porque esse tempo que eu dispunha para aqui era um tempo pra mim.
Mas... tenho uma monografia pra preparar... coisas a estudar... uma vida toda pra tentar seguir em frente... uma vida toda pra tentar formar...
Não tenho nem mais tempo pra mim. Há meses não saio pra beber, pra esquecer de tudo, pra fazer alguma coisa louca. A última vez que isso aconteceu, aparentemente, foi uma despedida da vida que eu estava acostumada a ter.
Mais uma vez estou perdida. Mais uma vez ouço vozes que fingem querer me ajudar. Mais uma vez me escondo num apartamento frio e solitário, tentando dormir por horas, sem conseguir pregar o olho, pensando em tudo que poderia ter sido evitado, ou ter sido feito.
Parece um tanto auto-piedoso. Mas tento não sentir pena da minha própria vida. Meus problemas são banais perto de tantos outros que sofrem sem nem ter um lugar pra se refugiarem.
E afinal, cada um escolhe seu próprio caminho. Mesmo que inconscientemente.
posted by Uma menina 16:34
Discorde:


This page is powered by Blogger. Isn't yours?