Contra-senso


Quarta-feira, Abril 28, 2004

 
Confusa

Batom caderno travesseiro olho azul moderno divertido enjôo desastre carinho papel desespero surpreendente legal mágico ilegal telefone frio solidão inverno verão sol noite desespero música fim livro dor caminho ilha lápis apelo desespero esperança desespero aperto liberdade prisão caviar miojo arroz vento ilusão perda desespero alegria caneta roupa dor desamor calafrio indiferente estranho confuso dor bebida ébria cigarro desespero ódio sono falta raiva calamidade desespero tremor melancolia riso depressão dor desespero dor desespero remédio sono riso força sono indiferença dor desespero noite lua música solidão harmonia som frio desespero indiferença letargia inércia semi-vida pseudo-vida morte.
posted by Uma menina 21:18
Discorde:


Domingo, Abril 25, 2004

 
Ouço músicas que me fazem lembrar de tempos em que as coisas pareciam muito mais simples. Presto atenção, especialmente, em uma coisa que Eddie Vedder diz e que faz tanto sentido: "how much difference does it make?".
Nenhuma diferença. Nada que eu fizer, disser, pensar fará diferença nem mesmo pra mim, que dirá para os outros. Mesmo palavras carinhosas, pensamentos felizes, idéias geniais, nada disso faz sentido. Não tem razão de ser.
Ainda não sei porque me levanto todas as manhãs. Sei que de noite tudo será insuportavelmente triste e pensarei várias vezes em morrer. Por que já não me poupo o trabalho e não saio da cama, perdendo a noção do tempo, e não fazendo nada mais que dormir e esperar que a fome ou a sede me mate? Seria tão mais simples, tão mais fácil.
Pra que dificultar as coisas? No fim das contas, serei uma carcaça podre numa caixa de madeira, sete palmos abaixo do chão. Comida de vermes que têm uma existência muito mais significativa que a minha. Eu não mereço ser comida deles. Eles merecem coisa melhor do que a minha carne pálida, insossa, inútil.
Como vou viver desse momento em diante? Não vejo esperança, não vejo luz no fim do túnel, não vejo sequer um passo a frente do outro. Como posso continuar fingindo que vivo?
Não quero nada. Absolutamente nada.
posted by Uma menina 20:44
Discorde:


Quinta-feira, Abril 22, 2004

 
Sinto muita saudade de minha mãe. Não da presença dela, mas da relação que tínhamos em outros tempos.
Dos tempos em que conversávamos sobre como meu dia tinha sido, ou sobre o meu novo "paquerinha", ou quando ela me abençoava e cantava para eu dormir. De quando ríamos no meio da rua por uma coisa boba, até quase ela bater o carro. De quando eu procurava ela pra chorar.
Sinto falta de quando ela precisava de mim, e eu me sentia bem por isso.

Sinto muita saudade de meu pai. Não da presença dele, mas da relação que tínhamos em outros tempos.
Das coisas que ele me ensinava sobre o céu, a terra, o sobrenatural, os mistérios do Universo. De quando começamos a discutir, quando meu ponto de vista começou a ficar diferente do dele. E de chegarmos a conclusões iguais. Sinto falta de seus elogios carinhosos e sinceros. Sinto falta de ouvir discos de vinil sentada perto dele, descobrindo bandas maravilhosas, que anos mais tarde tornaram-se minhas favoritas.

Sinto falta, muita falta, de um tempo que não volta mais. A não ser na memória, pra atormentar e entristecer.
posted by Uma menina 20:23
Discorde:


Domingo, Abril 18, 2004

 
Percebo que existe um grande preconceito quanto ao samba. Muita gente imagina que, ouvindo os pagodeiros dos programas de domingo, já tem uma boa idéia do que é o samba e o pagode.
Fico feliz de saber que essas pessoas estão enganadas.
O bom samba, o bom pagode, a boa música de raiz, tem uma história muito mais bonita, um quê de emoção, perfeito pra fins-de-semana, pôr-do-sol, dia de tpm.
O bom samba vem assinado por Vinícius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim, Baaden Powell, Chico Buarque, Quarteto em Cy. Tem uma pitada de Elis, Miúcha, Nara Leão. O bom samba, tem como pai Adoniran, Dorival e tantos outros grandes sambistas.
O bom samba tem Badi Assad pra continuar. Tem Maria Rita pra lembrar.
O bom samba, infelizmente, não aparece na tv. Não vende disco. Não dá ibope.
O bom samba está fadado a ser visto como velharia, sem sentido, fora de moda.

Fico feliz de ser igualmente vista como sem sentido e fora de moda.
posted by Uma menina 21:04
Discorde:


Sábado, Abril 10, 2004

 
Pronto. É quase noite.
Mas... essa passagem do dia pra noite é que é o momento mais bonito, mais poético, mais melancólico, mais feliz, mais sereno, mais... vivo... mais vivo que qualquer outro momento.
Ah, se eu pudesse congelar esse momento, em que as luzes da cidade já estão acesas, esperando pela escuridão chegar. Como queria parar o tempo justamente agora, enquanto o céu tem essas cores que eu não sei o nome, cores que só fazem sentido se vistas, que nenhuma pintura, nenhuma palavra pode descrever.
O sol baixa rápido. Assim como a vida acaba rapidamente, o sol se esconde atrás de uma colina. Eu sei que atrás da colina existe esse lugar maravilhoso onde já estive, por tanto tempo, mas que agora está tão longe de mim. E só o sol pode alcançar.
posted by Uma menina 18:21
Discorde:


Quinta-feira, Abril 08, 2004

 
Hoje eu queria fazer u'a poesia. Acordei com aquele olhar melancólico, pretensioso, sedento por algo que o explique.
Achei que com o passar da tarde ele diminuiria, e deixaria meu rosto, indo embora com o entardecer. Achei que talvez não fosse preciso pensar em nada, e ficaria tudo bem. O olhar não tem razão de ser. Só está lá, por algum motivo que nem eu mesma consigo entender.
Mas como escrever poesia, se não sou poetisa? Como emocionar as pessoas, se a única coisa que consegue emocionar plenamente é o pôr-do-sol (e, afinal, quem sou eu pra descrevê-lo?)? O que devo fazer, então?
Não encontro melhor resposta, senão tentar passar essa dúvida para as palavras, e soltá-las para que pessoas (talvez não tão) desocupadas quanto eu possam lê-las e perceberem que não sou nada, mas que ainda tenho a esperança de um dia ser. Tenho ainda a esperança de um dia conseguir traduzir meus olhos melancólicos, e o pôr-do-sol maravilhoso das minhas lembranças.
E tenho a esperança de um dia acordar e dizer que sou feliz. Plenamente feliz.
posted by Uma menina 18:46
Discorde:


Terça-feira, Abril 06, 2004

 
Quando se passa muito tempo sozinha (não da companhia de um homem, mas sim completamente sozinha, longe de tudo e de todos), perde-se um pouco a noção de convivência. E não é possível mais ser normal com as pessoas. Por favores e obrigados ficam pra trás. Não me importa mais nada. Nem ninguém.
Claro, isso não dura pra sempre. Aí você começa a perceber pessoas no meio da multidão que podem mudar a sua vida. E você espera mudar a delas, também.
Infelizmente, isso não acontece. E, então, cá estou eu, sozinha, de novo. Em um dia, um ano se passa. Em uma semana, foram-se décadas. E cá estou eu, sozinha de novo.
Só que dessa vez guardo as mágoas de quando me abri. Guardo as mágoas que poderiam se apagar pra eu me sentir melhor.
Mas não. Estão lá. Atormentando minhas noites.
Fazendo-me mais fria e sozinha.
Mais uma vez...
posted by Uma menina 21:25
Discorde:


Segunda-feira, Abril 05, 2004

 
Não entendo, mãinha. Dói. Só dói.
posted by Uma menina 18:20
Discorde:


Domingo, Abril 04, 2004

 
O que você fez hoje?
Eu descobri que eu sei conversar. Não conversar sobre o tempo, ou sobre a crise mundial de 29. Muito menos sobre as últimas tendências da moda masculina no setor dos calçados. Não. Sobre tudo isso eu sempre pude falar.
Mas hoje eu descobri que eu sei conversar sobre mim. Sei conversar sobre o que estou sentindo, toda a agonia que está dentro de mim, e tudo o que me incomoda profundamente, e que nunca havia exposto. Descobri que posso falar sobre isso com uma pessoa, e a pessoa vai ouvir. E descobri que falar é tão gostoso quanto ouvir. E eu ainda posso me entender muito mais.
Não foi uma sessão de terapia, nem análise.
Foi só a descoberta de que eu tenho um amigo.
posted by Uma menina 00:42
Discorde:


Quinta-feira, Abril 01, 2004

 
Tudo o que eu poderia escrever, já foi escrito. Já percebeu? Todas as idéias já foram expostas, todas teorias formuladas, todos os sentimentos já foram sentidos de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Toda música já foi escrita, todo poema declamado, todo quadro pintado, toda opinião discordada.
Mas então... pra que continuar tentando escrever? Sempre temas repetidos, tentando inovar temas batidos, criando e recriando um lixo contínuo. Pra que, diabos, continuamos a escrever?
Não consigo achar uma resposta bonita, poética, culta. Não consigo fingir que existe uma razão, e tentar convencer todo o mundo de que ainda vale a pena escrever. Ná. Pára de escrever, rápido. Pára, que nesse mundão não tem mais ninguém que quer te ler, não. Tá todo mundo ocupado assistindo filme pornô, irritando o vizinho, torturando o gato vira-lata... lentamente...
Ninguém mais quer saber de linhas e linhas de palavras enfadonhas e pouco conhecidas, não. Desiste. Ninguém vai se importar se você se foder. Pode parar de lamentar. Ninguém quer saber das suas felicidades. A não ser, claro, pra invejá-las.
É. Seria muito sensato parar de escrever.

Mas essa porra é tão boa que não dá. Simplesmente não dá.
posted by Uma menina 21:21
Discorde:


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