Contra-senso

Sábado, Maio 22, 2004
Se eu sei que é errado, por que continuo fazendo?
Ah, claro. Tinha me esquecido.
Eu sou idiota.
posted by Uma menina 17:25
Discorde:
Terça-feira, Maio 18, 2004
Na primeira vez, sofri. Chorei, pedi perdão. Jurei que nunca mais ia acontecer.
Na segunda vez, sofri. Pedi perdão, sinceramente. Expliquei que sou fraca. Mas nunca mais ia acontecer.
Na terceira vez, pedi perdão. Disse estar arrependida. Palavras da boca pra fora.
Na quarta vez, pedi perdão. Pedi como se pedisse um pãozinho na padaria.
Da quinta em diante, nem me dei ao trabalho de fingir me preocupar. De que adianta?
Vamos todos parar de baixo da terra, de qualquer forma.
posted by Uma menina 20:20
Discorde:
Segunda-feira, Maio 17, 2004
Perdi tudo.
Perdi minha vida, perdi a beleza, perdi a esperança, perdi a vontade.
Só de pensar nas coisas que faço, nas coisas horríveis que faço, o estômago embrulha e não consigo mais dormir.
Não consigo nem me concentrar. Não sei mais o que estou fazendo.
Só erro, um erro atrás do outro, um eterno retorno agoniante.
Só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
Como ainda consigo andar nas ruas, olhar pras pessoas, olhar pro meu próprio reflexo, não sei.
Só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
De noite eu me lembro que ainda sou criança. E só de pensar nas coisas que faço já me embrulha o estômago.
Só de pensar em viver já quero morrer.
posted by Uma menina 22:52
Discorde:
Terça-feira, Maio 11, 2004
Eu sei, não existe romantismo.
Eu sei, nunca deveria ter lido sequer um romance romântico.
Eu sei, o que acontece nos filmes nunca vai se passar na vida real.
Eu sei, as novelas são uma visão bonitinha e impossível da vida.
Eu sei, eu não posso voltar no tempo para eras que davam mais importância ao amor.
Eu sei, não posso ter um romance poético que me dê friozinho na barriga, que me faça pensar que estou num filme, que me faça sentir personagem de um autor romântico qualquer.
Eu sei, eu não moro em nenhum lugar que eu gostaria, não vivi as coisas que gostaria, não conheci os esteriótipos que gostaria.
Eu sei, eu sei.
Talvez seja por isso que sempre vem essa tristezinha braba demais.
posted by Uma menina 22:20
Discorde:
Quinta-feira, Maio 06, 2004
Agora queria ir pra um lugar calmo, um campo, um tempo ameno, um sol gostoso, um dia de outono.
Margaridas enfeitando a paisagem, enquanto eu olho o horizonte, só com a musicalidade natural dali pra se ouvir.
Olhar pro céu azul e ter uma sensação de liberdade e leveza inexplicáveis, que só sentindo pra saber.
Um cheiro de grama gostoso, uma coisa bucólica da qual sempre reclamo, mas que sinto falta.
E vai chegando a noite... e só o brilho das estrelas pra iluminar o caminho... muitas estrelas...
O céu claro e limpo... nenhuma preocupação... e não só as sensações do dia, mas também uma coisa estranha que parece a lembrança de um outro tempo. Porque a noite atrai nostalgia. Mesmo que seja de tempos que nunca vieram.
E eu não quero me levantar, porque ali é o melhor lugar do mundo pra estar... e adormeço e acordo ali, e parece que não sinto mais fome, não sinto mais frio, não sinto nada que possa me incomodar.
Só o sol, mais uma vez, aquecendo a manhã de um jeito tão gostoso que eu mal quero me mexer pra não estragar.
E ficaria ali pra sempre, sempre amando aquele lugar, sem me sentir sozinha, nem vazia, nem presa, nem num lugar estranho.
Estaria finalmente em casa.
posted by Uma menina 23:01
Discorde:
Quarta-feira, Maio 05, 2004
Vivemos em pequenas caixinhas decoradas.
Saímos de nossas caixinhas decoradas para entrar em caixinhas móveis e chegar a outras caixinhas (talvez maiores, talvez menores).
Vivemos presos em caixas e costumes, cantando a liberdade sem nem ao menos saber o que ela é.
Brincamos de Deus, estipulando regras e doenças para cada um e para cada época. Brincamos com o mundo achando que tudo se resolve com uma faxina na segunda-feira.
Fingimos que somos juízes de outros. Matamos quem achamos que está errado.
Estamos sempre certos.
E ainda nos achamos no direito de reclamar.
Ô, povinho besta.
posted by Uma menina 22:02
Discorde:
Terça-feira, Maio 04, 2004
Recebi há pouco uma ligação de minha avó. A única que tenho, pois a outra morreu antes que eu nascesse.
Estava ouvindo Sarah McLachlan quando o telefone tocou. E do outro lado da linha estava uma senhora, apesar de doente, muito forte. Mais do que qualquer um jamais imaginara.
"Esqueceu da vó, foi?". Não, minha vózinha. Tem muito tempo que não nos vemos, mas não a esqueci.
Bateu uma saudade forte e uma vontade imensa de chorar. Segurei o choro até desligar o telefone.
Com o "tchau", vieram todas as lembranças de infância. Todas aquelas imagens que eu tento não ver para não cair na crescente e desesperadora nostalgia que enche meu coração de uma forma tão avassaladora que parece que eu não vou conseguir sobreviver. Já não ouvia mais nada a não ser aquela dorzinha no peito.
Chorei.
Aliviou bastante. Nunca chorar me fez tão bem. Toda a minha tristeza se transportou pra fora do meu corpo. Apesar de sempre ouvir que as lágrimas servem exatamente pra isso, nunca tinha experimentado plenamente essa sensação. Sempre ficava alguma coisa engasgada.
É, chorei.
E agora me sinto mais leve, meu peito quase flutua.
Minha avó continua longe, só que muito mais perto de mim. Tudo isso só com uma ligação.
O que dirá quando a reencontrar?
posted by Uma menina 19:46
Discorde: